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05 de novembro de 2021

Cartão de crédito: Vilão ou mocinho?

 | Jornal Acontece

Neste artigo vamos elencar as principais características do cartão de crédito (para o orçamento doméstico), e como os bancos utilizam “armadilhas psicológicas” para nos fisgar.

As diversas vantagens e benefícios do uso do cartão de crédito não existem à toa: milhas em dobro, pontos, programa de relacionamento com descontos em lojas, cinemas etc.

Mas digo a vocês que, depois de muitos anos administrando meu orçamento doméstico, constatei que a função crédito do seu cartão pode ser muito prejudicial ao controle dos gastos.

Os motivos são diversos, e acredite: pagar o mínimo da fatura não é o pior deles, mesmo com as taxas estratosféricas praticadas no Brasil.

Eu mesmo já tive muita dificuldade neste “relacionamento”, e conversando com amigos e clientes da Avante, constatei as mesmas dificuldades que eu tinha. Então vamos lá:

 

1 – Você tem Saldo ou limite?

Existe uma diferença muito grande entre saldo na conta-corrente e limite de cartão de crédito e que as pessoas em geral confundem.

Hoje, lendo este artigo, pode parecer óbvia a constatação, mas diante de uma vitrine do shopping, ou na mesa de um restaurante, a confusão psicológica é muito fácil de acontecer.

Já que temos saldo no cartão, porque não fazer esta, ou aquela compra?

O limite na fatura, que na realidade é um empréstimo de curto prazo, facilita muito as compras por impulso.

São aquelas compras onde a emoção é quem manda e a necessidade é criada naquele momento, ou seja, é uma necessidade “duvidosa”.

Falamos isso, por experiência própria.

Depois de alguns arrependimentos, chegamos a conclusão que novas compras, deverão ser feitas no mínimo com 30 dias de reflexão.

Após esse prazo, se a necessidade por aquele produto segue alta, aí sim realizo a nova compra.

Para aquelas pessoas que nem fazem o controle dos gastos, a confusão é ainda maior, pois não há estimativa do tamanho do prejuízo financeiro.

 

2 – Compromete o orçamento do mês seguinte

Todos nós temos o chamado “custo de vida”, ou seja, nossos gastos fixos.

São exemplos: gastos com moradia, automóveis, saúde, educação, filhos, etc.

Além disso temos os gastos variáveis, são aqueles que aparecem em alguns meses dos ano: IPTU, IPVA, materiais escolares, revisão do carro etc.

Temos também a conta “lazer” – afinal de conta a vida é uma só e temos que aproveitar os bons momentos.

Também não podemos esquecer da nossa poupança, ou seja, temos que enriquecer em todos os meses do ano, de preferência a uma taxa mínima de 10% da renda.

Resumindo…temos até aqui: gastos fixos, gastos variáveis, lazer, poupança.

Aonde quero chegar. Você está percebendo o quanto é limitada nossa renda?

Como é fácil a despesa superar a receita?

Tudo isso para dizer que além de tudo que falei anteriormente, você terá que pagar os gastos do mês anterior (ou meses anteriores), que é a fatura do cartão de crédito.

Está ficando claro que a fatura do cartão está dificultando o controle de gastos deste mês corrente?

O gasto na função crédito é feito em uma data muito distante até o pagamento, e neste intervalo acontecem diversas coisas, que muitas vezes não estavam planejadas.

Pode ser um passeio em um feriado prolongado, um presente de aniversário, etc, boas oportunidades de lazer, por exemplo, mas que não estavam planejadas e o orçamento já comprometido.

Neste caso, qual a saída óbvia: continuar gastando na função crédito, e como diria Zeca Pagodinho – “deixa a vida me levar”.

 

3 – Camufla gastos – cria uma ilusão na conta corrente

Certa vez, numa de nossas lives no Instagram (perfil @avanteinvestimentos) surgiu a seguinte dúvida: devo pagar integralmente a fatura do cartão de crédito se estou no cheque especial? SIM!!!

Temos a tendência natural de “diminuir nossa dor” e este é um belo exemplo.

Se a fatura do cartão não é paga integralmente (neste caso específico) teremos saldo positivo na conta corrente, bem simples e visível na tela do celular, PC ou terminal bancário.

Já a fatura, fica em algum lugar “do planeta terra”.

No caso do meu banco, é preciso um aplicativo diferente, específico para cartões de crédito, para que eu possa ver a situação atual.

Ressalto ainda a demora dos bancos em fazer o lançamento dos gastos na função crédito.

No meu banco gira em torno de 3 dias úteis.

Está percebendo mais uma armadilha psicológica? Reduzimos nossa dor com saldo positivo em conta-corrente, e nosso “déficit fiscal” foi parar na fatura e não mais na conta-corrente. Temos agora um fictício “saldo positivo” em conta e seguimos em frente, na auto-sabotagem.

 

4 – Camufla gastos – dificulta a clareza no controle

Cartão de crédito não é despesa.

A anuidade do cartão pode ser considerada, mas não todos os outros gastos.

Para quem faz o controle dos gastos, planilhas de orçamento, etc é preciso detalhar cada gasto feito, e isso às vezes não é tão óbvio.

Quer um exemplo: despesa de R$ 500,00 no supermercado com compras do mês é diferente de um jantar para amigos, feito em casa, que custou R$ 150,00.

No primeiro caso, o gasto deve ser lançado no nosso custo de vida, despesa com moradia ou pessoal.

No segundo caso, é uma despesa de lazer, inclusive mais econômica que um restaurante, por exemplo.

Falando nisso, restaurante: no meio da semana, no horário de trabalho, ou no horário de folga, junto com amigos, esposa/o, namorada/o ?

Volto a dizer que são gastos completamente diferentes, que na fatura estarão identificados da mesma forma, porém o lançamento na nossa planilha/app/caderninho deve ser feito de forma diferente.

Importante ressaltar também para as pessoas que fazem o controle do orçamento: registro na planilha/app/caderninho na data do gasto, ou no vencimento/pagamento da fatura do cartão?

Depois de sofrer com o controle dos cartões, adotei a seguinte prática: registro na planilha na data do gasto e transferência do valor para uma poupança. Desta forma, o “efeito camuflagem” é anulado e consigo ter clareza de meu saldo atual. Se você ainda não faz o controle dos gastos, o que está esperando? Rs.

 

5 – Cria uma sensação de que “vai ser bom para as milhas”

Se você já viajou com milhas do cartão, sabe o quanto é boa a sensação de viajar, sem efetivamente pagar as passagens.

Bastou realizar muitas compras no cartão por vários meses, que as milhas se avolumam.

Porém isso tem um outro efeito psicológico: quanto mais eu gasto, melhor para minhas milhas e para mim, consequentemente.

Está percebendo mais uma armadilha?

Quanto maior o gasto, e maior a fatura, será melhor para minhas milhas (que são referenciadas em dólares).

Isto é extremamente nocivo ao controle de gastos.

Gastar mais nem sempre reflete em mais qualidade de vida.

Quantas vezes nos arrependemos de determinado gasto? Talvez um pouco de reflexão poderia ter evitado.

São várias as formas de nos manter na “corrida dos ratos”, ou seja, despesas maiores que a receita, sem darmos conta do que está de fato ocorrendo.

É preciso muita disciplina para manter as coisas no lugar.

Se analisarmos o conjunto da obra, a função crédito cria uma falsa sensação de abundância, dificultando a análise fria da situação atual.

Espero ter te alertado e ajudado nessa caminhada. Sempre podemos evoluir. Avante! 🙂

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