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01 de março de 2021

Ciclistas cobram liberação da Rota Marcia Prado

 | Jornal Acontece

Atualmente, percorrer a rota ciclística é considerado uma atividade clandestina e pode render multa

 

por Thiago Macedo

 

Uma rota ciclística que liga São Paulo a Santos, com cerca de 100 quilômetros de extensão, passa por duas balsas na Ilha do Bororé, ainda na Capital, por São Bernardo do Campo e Cubatão pela Estrada de Manutenção da Rodovia dos Imigrantes, também conhecida como Estrada de Serviço da Dersa. O caminho termina na Rodovia Anchieta até chegar à cidade santista. Esta rota é a Rota Marcia Prado.

Oficializada em 2018 por uma lei do deputado estadual Davi Zaia, a rota leva o nome de Márcia Regina de Andrade Prado, uma atuante ativista e defensora do direito de ir e vir dos ciclistas e da bicicleta como um importante meio de locomoção. Morta atropelada por um ônibus em 14 de janeiro de 2009, enquanto pedalava pela Avenida Paulista, Marcia não viu o carma que se tornou a vida dos ciclistas que tentam percorrer o caminho que leva o seu nome.

Na internet, em sites e redes sociais é fácil encontrar relatos de ciclistas que são barrados pela Polícia Rodoviária e seguranças particulares quando tentam percorrer a rota Marcia Prado.  Um dos mais populares portais de apoio e defesa do uso da bicicleta, o vadebike.org publicou nesta semana uma reportagem onde relata uma série de problemas enfrentados pelos ciclistas que tentam percorrer a rota.

De acordo com a reportagem do vadebike, um “grupo descia a Estrada de Manutenção e ao chegar na maior cachoeira do percurso (Cachoeira da Serra do Mar), foi parado pela Polícia Ambiental. Depois de duas horas de “canseira”, a polícia liberou o grupo, mas com a obrigação de comparecer em Santos depois de algumas semanas e pagar uma multa que seria de R$ 1.000”, relata. A acusação seria por crime ambiental, já que parte da rota está dentro do Parque Estadual da Serra do Mar.

Essa acusação tem sido usada constantemente para criminalizar os ciclistas, o que causa revolta. Já que os adeptos do ciclismo têm uma filosofia de preservação da natureza e anti poluidora.

Devido aos constantes problemas e proibições de percorrer a rota Marcia Prado, ciclistas se uniram para garantir o que chamam de direito de ir e vir e poderem trafegar com segurança e livremente com suas bicicletas. Também nesta semana, eles fizeram um protesto em frente à Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente e cobraram a liberação de tráfego de bicicletas na rota ciclística.

Eles querem a garantia de poderem transitar pela Rota Marcia Prado, que deveria ser um direito, mas acabou se tornando uma atividade ilegal. Membro do Movimento dos Advogados Cicloativistas do Estado de São Paulo, Aparecido Inácio Ferrari Medeiros lembra que a proibição de ciclistas na Rota Marcia Prazo é prejudicial em vários aspectos. Diminui o número de turistas nas cidades de Cubatão (que abriga grande parte do percurso) e Santos (destino final); perde arrecadação e além disso facilita a depredação ecológica das áreas de preservação cortadas pela rota.

Medeiros conta que é necessária uma articulação regional para garantir a utilização da Rota Marcia Prado. Na próxima semana, um grupo de ciclistas vai se reunir com o secretário estadual de Meio Ambiente, Marcio Penido para debater o assunto.

Enquanto isso, os ciclistas continuam se arriscando para percorrer de forma “clandestina” uma das mais famosas e bonitas rotas ciclísticas do País.

 

Entidades cobram o governador por Segurança nas Rodovias para os ciclistas 

Em carta aberta ao governador João Doria, o Ciclocomitê Paulista, o Movimento dos Advogados Cicloativistas do Estado de São Paulo e os portais vadebike.org e o bikeelegal.com cobram a retomada do Plano Cicloviário Estadual. O documento tem objetivo de disciplinar a implementação de infraestrutura para o trânsito de veículos de propulsão humana (as bicicletas) nas estradas estaduais e nos terrenos marginais às linhas férreas.

Os ativistas afirmam que Estado, a ARTESP (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), a Policia Militar e as concessionárias das rodovias do Estado não cumprem o artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro que diz o seguinte: “ Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”.

Justamente o descumprimento desta lei e a paralisação do Plano Cicloviário Estadual que tornam percorrer a Rota Marcia Prado uma atividade perigosa e clandestina. “Nós queremos descer de bike para Santos qualquer dia da semana sem repressão da Polícia e da ECOVIAS – como já aconteceu várias dezenas de vezes, lamentavelmente”, diz a carta.

Eles cobram também ações do Poder Público para poderem transitar pelas vias do Estado sem riscos.  “… queremos ser respeitados como cidadãos-ciclistas, para podermos circular com segurança nas estradas e rodovias, no veículo que utilizamos. Ora, se um motorista, pode circular com seu veículo por qualquer lugar, porque o ciclista é tratado de maneira diferente?”, questionam.

Os movimentos encerram a carta com uma pergunta. “Então, senhor governador e demais autoridades do Estado, queremos saber: POR QUE O PLANO CICLOVIÁRIO DO ESTADO ESTÁ ENGAVETADO?”

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