Fale com a gente

|

Tempo

Compra: R$

Venda: R$

Valéria Guimarães

Consultora de imagem, jornalista e empreendedora. Ajudo mulheres a potenciar sua autoestima e a descobrir sua melhor versão por meio da imagem pessoal e da comunicação.

Tenho carreira construída há mais de 20 anos como especialista e gestora em consultoria, empresas de grande porte, ONGs e na gestão público-privado.

Tudo isso me fez amar cada vez mais estar com pessoas e ajudá-las a se comunicarem melhor com elas mesmas e com os outros. Ou seja, o quem você é decodificado na forma de como você é visto.

25 de fevereiro de 2021

Ela está no padrão de beleza sim! O dela.

 | Jornal Acontece

Comecei o ano com o privilégio de entrevistar uma mulher incrível, no qual me apaixonei logo no primeiro contato.

Nesta coluna a atriz, dançarina, modelo e palestrante Mona Rikumbi divide conosco como lida com a autoestima e a sua imagem pessoal.

Só pra vocês sentirem quem é a Mona, em 2017 ela foi a primeira cadeirante negra a se apresentar no palco do Theatro Municipal de São Paulo. Já veio quebrando a imagem padrão que conhecemos de dançarinas com seu talento e mostrando que nós mulheres podemos ser quem quisermos ser.

Aos 30 anos Mona Rikumbi (que significa Filha do Sol) foi diagnosticada com neuromielite óptica. Uma doença inflamatória que destrói a proteção de nervos ópticos e ataca a medula espinal, ocasionando vários fatores, inclusive a dificuldade para andar.  Por isso que desde 2007 ela anda com ajuda da cadeira de rodas. Mas isso é apenas um detalhe como ela mesma define.

O objetivo dessa entrevista é para inspirar mulheres como eu e você acima dos 40 anos fortalecer nossa autoestima e nos conhecer mais e saber que podemos escrever nossa história a nossa maneira.

Valéria Guimarães: Obrigada por aceitar o convite em participar desta coluna Mona. Pois o objetivo é fazer com que mulheres maduras se inspirem em seguir o que deseja ser sem se preocupar com estereótipos ou padrões imposto pela sociedade. Mona Rikumbi: Eu que agradeço a oportunidade em poder  ajudar nós mulheres pretas e maduras a cada vez mais se conhecer e se autovalorizar.

Valéria Guimarães: Por que você fala que estar na cadeira de rodas é apenas um detalhe? Mona Rikumbi: Muitos falam que eu sou uma mulher de superação. Que a minha vida é de superação por ser cadeirante. Mas ao longo de toda a minha vida eu tive que lutar e nada foi fácil. Eu sou preta, mulher, mãe solteira, periférica, de religião africana, plus size e cadeirante. Então a superação é muito mais profunda do que uma cadeira de rodas.

Valéria Guimarães: Então posso dizer que você uma mulheres de várias lutas? Mona Rikumbi: A gente não escolhe ter causas ou lutas. Na verdade foram elas que me escolheram. Isso faz parte da minha vida.

Valéria Guimarães: Como uma mulher negra qual a sua relação com a imagem pessoal? Mona Rikumbi: Aos 8 anos já estava no teatro, dançando e escrevendo peças. Sempre gostei de experimentar o novo. Nas roupas não foram diferentes. Na juventude eu me descobri negra, no final da década de oitenta. Aí foi quando comecei a usar turbantes. Quase ninguém usada e minha mãe vivia reclamando desse pano amarrado na cabeça. Eu entendo minha mãe que viveu uma vida presa num padrão eurocêntrico do que era bonito. Alias todas nós mulheres negras sabemos o que é isso. Crescemos sem referências negras e ser bela era ser branca e loira.

Valéria Guimarães: Me fala mais sobre os turbantes. Você era adepta ao estilo afro já naquela época? Mona Rikumbi: Sim! Eu tb usava tecidos coloridos amarrados ao corpo. Muitas vezes eram lençóis. Não tinha a vasta opções de tecidos afro que temos hoje. Então eu me virava com o que tinha. Mas foi a partir daí que eu comecei a ter meu próprio estilo e me sentir bem. Sem ter que seguir algum padrão.

Valéria Guimarães: Eu sempre falo para minhas clientes e seguidoras que o melhor estilo é o próprio. Posso dizer que você desde jovem tem o seu? Mona Rikumbi: Ah! com certeza. Além disso, eu como plus size não tinha roupas da “moda” pra mim. Ai comecei a criar meu próprio estilo.

Valéria Guimarães: Qual a sua opinião sobre imagem pessoal? Mona Rikumbi: Eu tinha um olhar preconceituoso, achava que moda era algo burguês, coisa de quem não tem o que fazer. Mas hoje eu entendo que é a nossa imagem é importante. É a primeira a chegar. Nosso cartão de visita.

Valéria Guimarães: O seu estilo mudou quando como a usar cadeiras de rodas? Mona Rikumbi: Em relação a vestimenta mudou. Quando fiquei cadeirante tive que me adaptar. Conheci a moda inclusiva por meio de um grupo de estudantes que vieram fazer um trabalho acadêmico comigo. O objetivo desse trabalho era justamente a criação de roupas que se adapte a pessoa e não apenas a cadeira. Mas no dia a dia não é bem assim. As peças para cadeirantes criadas, em sua maioria, a partir da necessidade do cuidador. Abertas nas costas e apenas com velcro. Eu quero roupas que eu me sinta bem e como modelo ou/estilo igual qualquer pessoa. Ainda não entenderam que o protagonista é a pessoa e não a deficiência.

Valéria Guimarães: Você mesma compra suas roupas e acessórios. Então me fala como é para você a questão da acessibilidade? Mona Rikumbi: Sim. Assumo que gosto de fazer compras. Por isso quero entrar, sair e transitar tranquilamente pela loja para escolher minhas roupas sozinha. Falta acessibilidade para isso. Eu sempre digo que nós deficientes não somos o problema. O problema é a sociedade que não é acessível.

Valéria Guimarães: Vejo que você sempre bem maquiada e com cores vibrantes. Fale pra nós sobre isso. Mona Rikumbi: Ah! Amo cores e amo maquiagem. Me sinto linda ao me maquiar. Mas confesso que me maquiar foi muito complicado no começo da doença. Eu não tinha forças nos braços. Eu escolhi a maquiagem como um dos temas no tratamento de fisioterapia. Com tempo voltei a fazer maquiagem sozinha. A independência não tem preço. Sou muito vaidosa e não abro mão de me sentir bem. Porém, isso não é superação. Isso faz parte da minha vida e apenas voltei a fazer o que já fazia antes.

Valéria Guimarães: Qual recado de imagem pessoal você deixa para mulheres negras e maduras no final dessa entrevista? Mona Rikumbi: Quando a mulher negra se resolve com o seu cabelo ela resolve a vida. Seja ele natural ou com química, crespo ou não. O importe a se resolver com ele. Ainda mais nós mulheres acima dos 40 anos que ficamos uma vida inteira vendo e ouvindo que ele é ruim. O cabelo “certo” e “belo” era o liso. Outra coisa não se vista pra ninguém, apenas para você. Olhe no espelho e se ame do jeito que você é.

 

Valéria Guimarães – Jornalista e Consultora de Imagem Pessoal – Instagram @valeriaguimaraes_consultoria

Mona Rikumbi – Entrevistada-convidada – Instagram @mona_rukumbi

Foto: Hugo Bueno

 

 

 

 

 

Publicidade
Publicidade
NOTÍCIAS RELACIONADAS

25 de fevereiro de 2021

Sobre Queimar Pontes!

Leia mais

25 de fevereiro de 2021

Prefeitura de Bertioga dá início às obras do Hospital Municipal

Leia mais

25 de fevereiro de 2021

Inscrições para o 1º Festival Esportivo de Integração estão abertas até 25 de maio

Leia mais
Publicidade
Publicidade
Desenvolvido por KBRTEC

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies e os nossos Termos de Uso.