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25 de julho de 2020

‘Eu sou melhor do que você’

 | Jornal Acontece

O comportamento de um desembargador do TJ/SP na praia de Santos, no último final de semana, expôs ao ridículo uma atitude que ainda é prática recorrente no Brasil, mas que a sociedade parece disposta a dar um basta. A nefasta prática da carteirada, sustentada no ‘eu sou melhor do que você’, remete à época do colonialismo, e não cabe mais no mundo moderno.

O Judiciário se apressa para desassociar sua imagem, isolando a mácula no desembargador em questão, antes que o vexame público, macule todo o Poder. O problema é que as atuais penas previstas contra juízes, estão mais para prêmio que para punição. Pode até minimizar, mas afetado o Judiciário já está.

A ausência do corporativismo no caso em questão, se atribui mais à repercussão e revolta popular, do que uma verdadeira autocrítica e mudança de paradigmas: quem nunca presenciou atitude similar de magistrados ou outros figurões do poder. Até uma colega de magistratura veio a público denunciar o magistrado, deixando subtender, nas entrelinhas, um assédio pela condição de gênero. Nada provado, o caso foi arquivado, à época.

 

Quanto mais subo mais gente sirvo

Na minha concepção ‘analfabetismo’ é confundir autoridade com autoritarismo. Numa democracia (governo do povo), quanto mais alta a função que se ocupa, dentro dos poderes constituídos, maior é a responsabilidade e a abrangência do serviço ao cidadão, que é quem paga pelo serviço. Mas o ‘analfabetismo’ arraigado de ‘quem se acha’ distorce até este conceito: ‘cidadão não, engenheiro civil, melhor do que você!’

A atitude arrogante pode revelar ainda um mecanismo de defesa de quem a pratica, originado em complexo de inferioridade ou traumas emocionais, não cicatrizados, que externam uma revolta perigosa, potencializada quando no exercício do poder, que é público. A necessidade de autoafirmação e de constantemente se mostrar superior ao outro pode revelar ainda um desvio de personalidade, que não se sustenta numa pessoa equilibrada.

Infelizmente os casos recentes, mostram que a atitude de se ancorar numa posição social para desmoralizar um agente no cumprimento da Lei é recorrente na sociedade brasileira, sustentado num ambiente em que historicamente poucos mandavam e muitos obedeciam.

 

Você sabe com quem tá falando?

A pergunta pressupõe a inferioridade do indagado e a superioridade de quem pergunta.

Convenhamos: a postura firme, competente e irrepreensível, de quem sabe exercer sua autoridade, no caso o fiscal do Rio e o guarda de Santos, levaram a nocaute e achincalhamento público, os ‘superiores’. Eles mostraram para todo o Brasil com que tipo de gente, de fato, estavam falando e os adjetivos como resposta da sociedade, certamente não eram os que os arrogantes poderiam esperar. Não cabe aqui repeti-los afinal, não é nossa intenção humilhar ninguém.

O prolongado sistema de capitanias hereditárias, e de escravidão no Brasil, sobreviveu no coronelismo e no nepotismo político que coloca a coisa pública a serviço dos interesses dos poderosos, sustentando a carteirada: ‘manda quem pode obedece quem tem juízo’.

Desde 1889 com o advento da República, o novo regime político trouxe o conceito da ‘coisa pública’ mas, em pleno século 21 e no auge da democracia, em tese, governo do povo, parece que estes costumes colonialistas ainda estão arraigados na cultura e ainda carecem de ser extirpados do nosso DNA. Parece que a sociedade, finalmente, dá passos em direção à libertação.

 

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