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19 de fevereiro de 2018

Greve na Refinaria

Sindicatos querem parar o Polo de Cubatão em protesto contra reformas

Presidentes do Sintracomos e SindPetro subiram o tom contra a reforma trabalhista e a RPBC durante protesto em frente a unidade

“Será preciso paralisar todo o polo industrial de Cubatão para que os trabalhadores celetistas e terceirizados não voltem à condição análoga à de escravos? Se preciso, pararemos”. A declaração é do presidente do Sintracomos (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial), ‘Macaé Braz de Oliveira.

Ele participou do protesto realizado na manhã desta segunda (19), em frente à Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (Rpbc), junto com sindicalistas de outras categorias. Durante a manifestação, eles atrasaram em quase duas horas a entrada de aproximadamente dois mil trabalhadores diretos e indiretos na unidade da Petrobras, para falar sobre conjuntura e problemas específicos da unidade. Além do Sintracomos, participaram do ato representantes do Sindipetro, Assojubs, Sindserv, Intersindical, Frente sindical e comissão de desempregados de Cubatão.

A reforma da previdência foi o pretexto para a manifestação. Os dirigentes falaram aos trabalhadores sobre os malefícios da medida, que está para ser votada no congresso nacional. Os sindicalistas convocaram os empregados da Rpbc e das empreiteiras a participarem de ato público, às 18 horas de hoje (19), na praça independência, em Santos, contra a reforma.

Sem resposta

Outro assunto de destaque na manifestação desta manhã, que motivou Macaé a cogitar a paralisação do polo industrial, foi a recusa da gerência da Rpbc em conversar sobre vários problemas. Segundo ele, os empregados diretos da refinaria e os terceirizados “vêm enfrentando péssimas condições de trabalho e de remuneração. A Petrobras e as contratadas não respeitam mais ninguém”.

Macaé pondera que a direção do Sintracomos e do Sindipetro, que representam, respectivamente, os terceirizados e os empregados diretos da refinaria, “praticamente não existem para a Rpbc”. “Estamos há semanas tentando negociar sobre diversos problemas, mas somos simplesmente ignorados”, reclama o dirigente do Sintracomos. “Reagiremos, com certeza”, ameaçou o sindicalista. Macaé explica que, “se aproveitando da reforma trabalhista, as empreiteiras impuseram condições de trabalho e remuneração incompatíveis com a importância dos trabalhadores”.

Escravos

“Daqui a pouco, chegará o momento de trabalharmos praticamente de graça, em troca de miséria para o pão seco, enquanto nossas riquezas são dadas de mão beijadas a potências estrangeiras”, diz. O sindicalista critica a “política de retalhamento da Petrobras, para venda à empresas norte-americanas, europeias e até chinesas, quando a estatal pertence ao povo brasileiro”.

“Além de pagar a segunda gasolina mais cara entre os países produtores de petróleo, perdendo apenas para a Noruega, os trabalhadores do setor são tratados como escravos. Está na hora do basta”, diz Macaé. Ele defende que os sindicatos se reúnam para marcar uma greve dos trabalhadores diretos e indiretos da Petrobras “o quanto antes. Precisamos ser ouvidos e isso só acontece no silêncio da paralisação”, finalizou.

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