22 de abril de 2026
Canetas emagrecedoras ampliam alerta para acompanhamento médico
Popularização reforça a importância de exames de imagem para prevenir e identificar complicações precocemente
O avanço do uso das chamadas canetas emagrecedoras, baseadas em agonistas de GLP-1, tem ampliado o debate sobre segurança, indicação adequada e acompanhamento dos pacientes. Para o Dr. Harley De Nicola, médico radiologista e superintendente da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem, já é observado um impacto na medicina diagnóstica, sobretudo em situações específicas, como dor abdominal, suspeita de pancreatite e investigação de cálculos na vesícula.
Impactos no organismo e necessidade de atenção
Isso acontece porque esses medicamentos atuam principalmente sobre órgãos do trato gastrointestinal, como fígado, pâncreas e vesícula biliar. Entre seus efeitos, está o retardo do esvaziamento gástrico, o que pode causar sintomas digestivos e, em alguns casos, estar associado a complicações mais relevantes.
Além disso, a perda rápida de peso favorece o surgimento de cálculos biliares, o que exige atenção para sinais clínicos que podem demandar investigação complementar.
A importância do acompanhamento médico
“Essas medicações podem ser seguras e eficazes quando bem indicadas, mas não devem ser encaradas como uma solução mágica. O acompanhamento médico é indispensável para monitorar efeitos gastrointestinais, alterações metabólicas e sinais de complicações mais graves, como pancreatite. Nesse contexto, a medicina diagnóstica tem papel importante ao apoiar a investigação de sintomas e contribuir para decisões mais rápidas e seguras ao longo do tratamento”, afirma Harley De Nicola.
Mudança no perfil dos pacientes
Com a popularização dessas medicações, os serviços de saúde já começam a perceber um novo perfil de paciente, mais atento à monitorização metabólica e, eventualmente, à necessidade de exames direcionados para avaliação do fígado, pâncreas e outras estruturas abdominais.
Com isso, exames se consolidam como aliados, a medicina diagnóstica se consolida como aliada importante para apoiar decisões clínicas, diferenciar efeitos esperados de sinais de alerta e garantir mais segurança ao cuidado.
Efeitos adversos e riscos
Entre os efeitos adversos mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Em alguns casos, também podem surgir hipoglicemia, desidratação e perda de massa muscular, especialmente quando há redução importante da ingestão alimentar.
Já entre as complicações mais graves, a pancreatite aguda se destaca como uma das principais preocupações, reforçando a necessidade de avaliação clínica cuidadosa e monitoramento contínuo.
Avaliação antes e durante o uso
Antes de iniciar o tratamento, a recomendação é que o paciente passe por avaliação médica completa, incluindo exame físico, histórico clínico e exames laboratoriais básicos, como glicemia, função hepática, função renal e colesterol.
Os exames de imagem podem ser indicados em suspeita de cálculos biliares. Ao longo do uso, o acompanhamento costuma ser individualizado, com consultas periódicas e monitoramento clínico e laboratorial conforme a evolução de cada paciente.
Diagnóstico precoce é essencial
Para o Dr. Harley De Nicola, o diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão de complicações.
A identificação rápida de sinais de intolerância gastrointestinal pode impedir quadros de desidratação, enquanto o reconhecimento precoce de uma pancreatite pode reduzir o risco de evolução para formas mais graves.
Atenção a sintomas e elegibilidade
Outro ponto de atenção é que o emagrecimento acelerado pode mascarar ou retardar o diagnóstico de outras doenças.
“Além disso, nem todos os pacientes são elegíveis para esse tipo de terapia. Histórico de pancreatite, doenças gastrointestinais mais graves, gastroparesia, alterações na tireoide, risco de câncer de tireoide, além de gestação e amamentação, estão entre os fatores que exigem avaliação criteriosa antes da prescrição”, completa o especialista.
Sobre a instituição
A Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem é uma instituição privada sem fins lucrativos, fundada em 1986 por médicos da Escola Paulista de Medicina, atualmente ligada à Universidade Federal de São Paulo.
A fundação atua no desenvolvimento de soluções em diagnóstico por imagem, ensino, pesquisa e ações sociais, estando presente em diversos estados brasileiros e realizando milhões de exames por ano.