28 de junho de 2026
Fiscaliza rope jump e bungee jump após morte em Limeira
Policiais militares e fiscais do Procon vistoriaram equipamentos e orientaram praticantes em diferentes regiões do estado
As forças de Segurança de São Paulo iniciaram neste sábado (27) uma ampla operação para fiscalizar práticas esportivas envolvendo saltos em altura, como o rope jump e o bungee jump. A ação, coordenada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), mobilizou 46 policiais militares distribuídos em 11 pontos estratégicos do estado, com apoio de fiscais do Procon e de órgãos das prefeituras locais. A operação é uma resposta direta à morte de uma jovem de 21 anos durante a prática da modalidade em Limeira, que chocou o país e expôs a ausência de regulamentação para esse tipo de esporte no Brasil.
Operação em 11 pontos do estado de SP

Os pontos fiscalizados foram escolhidos com base em um mapeamento prévio das áreas com maior incidência de prática de esportes de aventura e de risco no estado. As equipes atuaram na Pedreira do Dib, em Mairiporã; no Viaduto Sumaré, na capital paulista; no Parque Caminhos do Mar e no Caminho dos Pilões, em Cubatão; na Pedra do Maluf, em Guarujá; em parques e no Rio Jacaré Pepira, em Brotas; na Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí; no Horto Florestal, Tarundu e Zoom Bike Park, em Campos do Jordão; na Pedra Grande, em Atibaia; na Pedra do Índio, em Botucatu; e na Cachoeira Can Can, em Ibaté.
Durante as fiscalizações, as equipes policiais orientaram cerca de 20 pessoas, entre praticantes e responsáveis por empresas que organizam as atividades. Foram analisados o cumprimento das normas de segurança vigentes, a qualidade dos equipamentos utilizados e a regularidade jurídica das empresas responsáveis pela operação dos pontos de salto. Não houve apreensões, mas os organizadores receberam orientações formais sobre as exigências mínimas de segurança que devem ser cumpridas.
A força-tarefa contou ainda com o apoio de órgãos das prefeituras locais, como Defesa Civil, Guarda Civil Municipal (GCM) e Secretarias de Turismo, além dos fiscais do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). A integração entre os diferentes órgãos foi considerada fundamental para garantir uma abordagem ampla, que vai além da esfera policial e alcança também a proteção dos consumidores que contratam esse tipo de serviço.
Morte de praticante de rope jump em Limeira
A Polícia Civil continua as investigações da morte de uma jovem de 21 anos durante a prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, localizada na cidade de Limeira, no interior paulista. Na ocasião, a vítima foi arremessada de uma altura de aproximadamente 40 metros sem qualquer equipamento de segurança adequado. O caso gerou comoção nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os riscos da modalidade quando praticada sem supervisão técnica e sem os equipamentos corretos.
Até o momento, cinco homens e uma mulher permanecem presos por envolvimento no caso. As investigações buscam apurar a responsabilidade criminal dos organizadores do salto, bem como verificar se havia alguma estrutura mínima de segurança no local. A tragédia em Limeira foi o principal motivador para a operação estadual deflagrada neste sábado, demonstrando que o poder público não ficará inerte diante de situações de risco que coloquem vidas em perigo.
Na última quinta-feira (25), representantes de órgãos como a Defesa Civil e das Secretarias Estaduais de Turismo e Esportes se reuniram com as forças policiais na sede da SSP-SP. O objetivo do encontro foi o planejamento de estratégias integradas para garantir a prevenção de acidentes durante atividades de aventura e esportes de risco em todo o estado.
Rope jump e bungee jump: o que são e quais os riscos
O rope jump é uma modalidade em que o praticante salta de uma estrutura elevada — como pontes, viadutos ou penhascos — preso a uma corda elástica ou estática que amorta a queda. Já o bungee jump utiliza cordas elásticas fixadas nos pés do praticante, que cai em queda livre antes de ser contido. Ambas as modalidades envolvem riscos elevados quando realizadas sem equipamentos certificados, sem treinamento adequado e sem profissionais habilitados no comando da atividade.
Especialistas alertam que os riscos vão desde lesões musculares e articulares até acidentes fatais, especialmente quando os equipamentos não são revisados regularmente ou quando os organizadores não possuem formação técnica na área. A ausência de fiscalização e regulamentação facilita a proliferação de grupos informais que oferecem o serviço sem qualquer compromisso com a segurança dos participantes.
Rope jump sem regulamentação no país
Atualmente, o rope jump não é regulamentado no Brasil. Qualquer pessoa ou empresa pode organizar saltos sem precisar comprovar habilitação técnica, certificação de equipamentos ou seguros obrigatórios. Esse vazio regulatório é apontado por especialistas e pelas próprias autoridades como o principal fator de risco para os praticantes.
O Governo do Estado de São Paulo estuda a criação de uma força-tarefa permanente para o controle da atividade, com foco na identificação e fiscalização de empresas que oferecem esse tipo de serviço, no mapeamento das áreas de maior incidência de acidentes e na elaboração de normas mínimas de segurança. A expectativa é que, com a regulamentação, seja possível reduzir significativamente o número de acidentes e mortes associadas à prática de esportes de aventura no estado.
