10 de julho de 2026
Vestibular do ITA 2027 tem recorde de 200 vagas; inscrições encerram neste domingo
Instituto Tecnológico de Aeronáutica amplia vagas para o maior número de sua história; processo seletivo ocorre em setembro e outubro.
As inscrições para o vestibular 2027 do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) encerram no próximo domingo, 12 de julho. Neste ano, o ITA oferece 200 vagas, o maior número de sua história, distribuídas entre a sede em São José dos Campos (SP) e a nova unidade de Fortaleza (CE). Os interessados devem acessar o site oficial da instituição para realizar a inscrição. Clique aqui para se inscrever.
São oportunidades para oito cursos de engenharia: aeronáutica, eletrônica, mecânica-aeronáutica, civil-aeronáutica, da computação, aeroespacial, de sistemas e de energia. O processo seletivo deste ano também ampliou as vagas destinadas a políticas afirmativas: 140 para ampla concorrência, 50 para candidatos negros (pretos e pardos), seis para indígenas e quatro para quilombolas.
ITA: referência nacional em ciência e tecnologia
Criado em 1950 com a missão de formar engenheiros de excelência para a área aeroespacial e de defesa, o ITA consolidou-se como uma das instituições mais respeitadas da América Latina em ciência e tecnologia. A instituição é frequentemente comparada ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, tanto pelo rigor acadêmico quanto pelo impacto de seus egressos na indústria, no setor público e na pesquisa.
O ITA não aceita o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de ingresso. A seleção é exclusivamente pelo desempenho no vestibular da própria instituição.
Cursos, estrutura e benefícios
Do 1º ao 2º ano, todos os alunos cursam o Curso Fundamental, etapa comum com disciplinas de matemática, física, química, computação e humanidades. Do 3º ao 5º ano, cada estudante segue para o Curso Profissional, escolhendo sua especialização entre as engenharias oferecidas.
Para os alunos que optam pela carreira militar, incorporando-se como oficiais da Força Aérea Brasileira, há remuneração desde o início da graduação. Nos dois primeiros anos, o valor é de cerca de R$ 1.650,00 por mês. Do terceiro ao quinto ano, como aspirante a oficial, a remuneração pode chegar a R$ 11.200,00. Após a formatura, o engenheiro ingressa como 1º tenente da Aeronáutica, com salário inicial em torno de R$ 14.500,00.
Já os alunos que optam pela carreira civil não recebem remuneração durante os cinco anos da graduação, mas têm acesso gratuito a aulas, laboratórios e restaurante do campus. Quem optar por residir no alojamento paga apenas uma taxa simbólica de manutenção.
Como funciona o vestibular
O processo seletivo é dividido em duas fases. A primeira está marcada para 27 de setembro e tem caráter eliminatório. São 60 questões de múltipla escolha, com 12 perguntas para cada disciplina: Física, Química, Matemática, Português e Inglês. A pontuação da primeira fase tem peso de aproximadamente 25% na nota final.
A segunda fase ocorre entre 20 e 23 de outubro, com quatro dias de provas dissertativas compostas por 10 questões que contemplam Matemática, Física e Química, além de uma Redação. Nessa etapa, o candidato precisa apresentar passo a passo o raciocínio utilizado, justificar as escolhas e demonstrar clareza na organização lógica. A segunda fase tem peso de aproximadamente 75% da nota final.
Para Conrado Jensen Teixeira, professor de matemática da Escola Internacional de Alphaville (EIA), de Barueri (SP), o vestibular do ITA exige muito mais do que memorização. “O ITA não quer saber se o aluno decorou fórmulas. Ele quer verificar se o candidato compreende os princípios fundamentais e consegue aplicá-los em situações novas. A prova mede raciocínio estruturado, clareza na demonstração e precisão matemática”, afirma.
O que cai na prova
Física: exige entendimento profundo de mecânica (cinemática, dinâmica, estática, gravitação), termodinâmica, óptica, ondulatória, eletromagnetismo e física moderna. As questões frequentemente integram vários conceitos em um único problema.
Química: aborda físico-química (termodinâmica, cinética, equilíbrio, eletroquímica), química geral (estrutura atômica, periodicidade, ligações) e química orgânica (reações, mecanismos, identificação de funções). A prova valoriza a previsão de comportamento de reações e a interpretação de dados experimentais.
Matemática: inclui álgebra (polinômios, números complexos, matrizes), geometria (analítica, espacial e plana), trigonometria, análise combinatória, probabilidade e cálculo. As questões exigem criatividade, rigor lógico e domínio de técnicas de demonstração.
Português e Literatura: além de gramática e norma culta, a prova testa interpretação de textos complexos e familiaridade com obras literárias clássicas, relacionando-as a contextos históricos, sociais e estéticos.
Inglês: foca na compreensão de textos autênticos de veículos internacionais, artigos acadêmicos e literatura. Testa vocabulário, inferência e identificação de argumentos — não é uma prova de gramática tradutória.
Redação: modelo dissertativo-argumentativo, com mínimo de 25 e máximo de 35 linhas. Os critérios incluem coerência, coesão, domínio da norma culta e aderência ao tema. O enunciado vem acompanhado de uma coletânea de textos de apoio.
Temas da redação nos últimos dez anos
2026: A prevenção do apodrecimento cerebral e o papel do jovem engenheiro no combate à desinformação e ao negacionismo
2025: O papel da Engenharia na construção de um mundo justo e um planeta sustentável
2024: A responsabilidade da engenharia frente aos problemas do mundo contemporâneo
2023: Tecnofilia e os seus riscos na sociedade moderna
2022: A influência do medo nas ações humanas
2021: Que liberdade nos resta no século XXI?
2020: Em que medida o conhecimento tecnocientífico segue princípios ético-morais?
2019: O incêndio no Museu Nacional e a preservação do patrimônio histórico brasileiro
2018: O envelhecimento populacional e suas implicações individuais e sociais
2017: O poder das mídias, da comunicação e a conflituosa relação mídia-sociedade
Como se preparar para o vestibular do ITA
De acordo com o professor Conrado Jensen Teixeira, o erro mais comum é tratar o ITA como um vestibular convencional. “O estudante precisa resolver provas anteriores e, principalmente, aprender a escrever soluções completas. Treinar apenas múltipla escolha não é suficiente para a segunda fase”, orienta.
O professor lista as principais dicas: estudar teoria com foco em compreensão, não apenas na aplicação mecânica de fórmulas; resolver questões objetivas de provas anteriores do ITA; fazer simulados parciais por disciplina com controle de tempo; treinar resolução discursiva escrevendo soluções completas; analisar detalhadamente os erros identificando falhas de raciocínio; revisar tópicos de maior incidência na prova; e treinar redações com tempo cronometrado.
A recomendação é dividir os estudos ao longo da semana: segunda-feira para Matemática; terça-feira para Física; quarta-feira para Química; quinta-feira para Matemática mais Física ou Química; sexta-feira para Português, Redação e Inglês. A carga diária sugerida é de cerca de três horas — 20 minutos de revisão do conteúdo anterior, 75 minutos de estudo teórico com exercícios, 10 minutos de pausa e mais 75 minutos de prática com questões anteriores.
Equilíbrio emocional como diferencial
Além da preparação técnica, o controle emocional é determinante. A pressão associada ao vestibular do ITA pode gerar ansiedade elevada, especialmente nos meses finais. Sono adequado, prática regular de atividade física e pausas programadas aumentam a retenção de conteúdo e reduzem o risco de esgotamento.
“A preparação para o ITA é uma maratona intelectual. Disciplina, método e equilíbrio emocional formam a tríade que separa candidatos bem preparados daqueles realmente competitivos”, finaliza o professor Conrado Jensen Teixeira, mestre em Ensino de Ciências e Educação Matemática pela UFLA e professor de matemática na Escola Internacional de Alphaville.