08 de junho de 2022
Conheça um problema silencioso que pode interromper a carreira de muitos atletas profissionais e amadores
O desgaste no quadril pode ser um grande problema para atletas ou pessoas que tem uma vida com muitas atividades físicas. O impacto femoroacetabular pode trazer sérios problemas se não descoberto a tempo, alerta o ortopedista Dr. David Gusmão.
Os atletas e aquelas pessoas que gostam muito de praticar esporte possuem uma característica em comum: Em geral, todos eles começaram a treinar e praticar atividade física muito cedo em suas vidas. No entanto, um problema que afeta o quadril de algumas dessas pessoas pode surgir silenciosamente e causar sérios problemas com o passar do tempo: o impacto femoroacetabular.
Para quem não o conhece, esta foi uma das principais razões que levou o tenista Gustavo Kuerten a abandonar a carreira. Mas, antes de se alarmar com os efeitos dele, é preciso compreender como esta situação se desenvolve no organismo. Segundo o médico ortopedista Dr. David Gusmão, “o nosso esqueleto é muito moldável durante o processo de crescimento. E com isso a articulação no quadril também pode sofrer alterações em seu formato. Isso acontece principalmente quando muitas forças passam por esta articulação, especialmente na pré-adolescência”.
No entanto, as práticas de algumas modalidades esportivas levam a um alto grau rotacional da articulação do quadril, “por exemplo, o futebol, o hóquei, o tênis e as artes marciais, dentre outros”, observa o médico. “E é claro, também existem aquelas pessoas que possuem características genéticas que a indicam se são mais susceptíveis a sofrer essas alterações”, acrescenta.
Estudos feitos em vários locais do mundo perceberam que quando a criança e o jovem participam de treinamentos intensos e intensos, em comparação àquelas que não participaram destes exercícios, essas primeiras desenvolvem uma frequência muito maior de sofrer o impacto femoroacetabular”, explica o médico. “Para se ter uma ideia, quem não pratica atividade física pode ter em torno de 15% de alterações nas articulações do quadril. Já os esportistas podem ter essa diferença em torno de 70%”.
No entanto, o impacto fenocetabular pode provocar um desgate precoce na articulação dessas pessoas quando chegarem à vida adulta, e tudo isso de forma silenciosa, revela Dr. Gusmão. “A pessoa pode sentir uma sensação de desconforto na articulação do quadril, ou uma distensão do músculo, e acaba tratando isso. Essa dor acaba indo e voltando após a pessoa realizar atividade física. Dores na região da virilha também pode acontecer de forma recorrente, então o ideal é que sejam investigadas”, ressalta.
Ou seja, “a pessoa acaba tratando o sintoma, e não a causa”, lamenta o ortopedista. Mas uma boa notícia, pondera Dr. Gusmão, é que as técnicas atuais permitem que este problema seja descoberto a tempo, e, consequentemente, carreiras sejam salvas. “Com o devido tratamento, a pessoa ficará livre das dores e poderá seguir normalmente sua trajetória, não correndo risco de acontecer o mesmo que ocorreu com o Guga”, completa.
