04 de julho de 2022
Prefeitura rompe contrato com empresa de ônibus
Na foto, o vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Beto Simões, em assembleia de trabalhadores da Otrantur, na manhã deste sábado, que continuam na greve parcial iniciada ontem
Devendo salários e benefícios, a Otrantur, contratada para o transporte coletivo em São Vicente, conseguiu liminar para operar parte da frota durante a greve iniciada na sexta-feira (1º).
Por outro lado, diante das seguidas greves e não cumprimento do contrato municipal, a prefeitura o rompeu, conforme documento publicado no portal da transparência do município neste sábado (2).
Além do atraso salarial, que deveria ter sido pago no final de junho, a companhia também não apresentou proposta para renovação do acordo coletivo de trabalho para a data-base de maio.
Na segunda, nova assembleia
Em assembleia na manhã de hoje (2), os trabalhadores acataram a liminar do Tribunal Regional do Trabalho, de ontem, que disponibiliza 70% da frota nos horários de pico e 50% nos demais períodos.
Os horários de pico, segundo o TRT, vão das 6 às 9 horas e das 16 às 19. Às 13 horas de segunda-feira (4), haverá audiência de instrução e conciliação no TRT, em São Paulo.
Após a reunião na Justiça do Trabalho, os motoristas e demais empregados da companhia participarão de assembleia, às 16 horas, para conhecer o resultado e decidir o que fazer.
Com fome no trabalho
Os motoristas e demais empregados decretaram a greve, por tempo indeterminado, em 23 de junho, no sindicato, na esperança de ter os direitos quitados nesta semana.
“Quem paga é a população e os trabalhadores, que passam necessidades, sem salários, cesta-básica e vale-refeição. Trabalham sem se alimentar”, diz nota do sindicato.
A diretoria lamenta que plano de saúde poderá ser suspenso por falta de pagamento. Isso deixará mais de 600 pessoas sem atendimento médico, onerando o sistema de saúde do município.
Acordo no TRT é desrespeitado
A empresa opera com 20 carros por dia, equivalente a 20% da frota, dando 40 folgas diárias a empregados, o que caracteriza o desrespeito ao contrato revogado pela prefeitura.
O sindicato reclama um acordo no TRT, de pagamento em seis vezes, de horas extras e vale-refeição nas férias. A empresa pagou em fevereiro, março e abril, mas não as parcelas de 25 de maio e 25 de junho.
É a quarta greve neste ano. Na primeira semana de março, também por atraso de salários e benefícios, houve greve de quatro dias e meio, interrompida após acordo na Justiça do Trabalho.
Por Paulo Passos MTb 12.646