Mostra no Orquidário destaca projeto do Arte no Dique, conectando cultura, identidade e inclusão
A exposição “A Orquestra Pintada” apresenta uma fusão entre arte e música, trazendo um olhar sensível sobre a comunidade da Vila Gilda, em Santos. O lançamento será dia 15 de fevereiro, sábado, das 15h às 18h, no Orquidário Municipal (Praça Washington, s/n, José Menino). A mostra ficará em cartaz até o fim 30 de março.
A mostra individual da artista Milkarte destaca um trabalho marcante realizado em parceria com o coletivo Querô do Arte no Dique: a customização de instrumentos de percussão, transformados em suportes narrativos que vão além da estética.
As pinturas, inspiradas na cultura afro-brasileira, nas palafitas da Vila Gilda e na energia de músicos icônicos do Brasil, carregam histórias de resistência, identidade e pertencimento.
Cada tambor não é apenas um objeto decorado, mas um mapa simbólico da comunidade, onde a criatividade floresce mesmo em meio às dificuldades estruturais.
Ao lado das fotografias da exposição, legendas explicam o processo criativo e o impacto do projeto, ressaltando o papel fundamental do Arte no Dique, instituição que há mais de 20 anos utiliza a cultura como ferramenta de transformação social.
O espaço é um polo de oportunidades para jovens e crianças da Vila Gilda, promovendo atividades ligadas à música, dança e artes visuais, além de oferecer oficinas e cursos que fortalecem a autoestima e ampliam perspectivas de futuro.
Nesta instalação, as palafitas da Vila Gilda encontram o ritmo baiano e a grandiosidade de Pelé – ícone que uniu estádios e corações.
O mural, instalado na região do Canal 7, um dos espaços mais valorizados da cidade, propõe um diálogo entre realidades distintas, levando à elite econômica a riqueza cultural das periferias.
A música e o futebol, dois dos pilares da identidade brasileira, tornam-se pontes entre diferentes universos, reafirmando que a arte é, acima de tudo, um ato de resistência e inclusão.
Localizado no Dique da Vila Gilda, área que abriga a maior favela sobre palafitas do Brasil e principal região em situação de vulnerabilidade social de Santos, o Instituto Arte no Dique atende diariamente mais de 1.500 famílias e promove atividades que vão além da cultura, oferecendo também oportunidades no esporte e na educação.
Desde 2002, o instituto tem sido um espaço de inclusão, onde jovens encontram alternativas positivas de desenvolvimento pessoal e coletivo. José Virgílio Leal de Figueiredo, presidente do Arte no Dique, destacou o papel transformador do instituto: “Essa sempre foi a missão do Arte no Dique: propiciar oportunidades pela cultura”.