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Cido Barboza

Jornalista, relações públicas e administrador de empresas -
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27 de maio de 2022

Estudo com idosos com Covid-19 avalia risco de insuficiência respiratória grave

 | Jornal Acontece

Estudo1 brasileiro realizado por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein e Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) avaliou a influência de doenças crônicas, comprometimento radiológico pulmonar e exames laboratoriais no risco de desenvolver insuficiência respiratória grave com necessidade de ventilação mecânica (intubação) e morte em idosos hospitalizados com Covid-19. A pesquisa, que acaba de ser publicada pelo jornal científico inglês BMC Geriatrics, contou com 201 pacientes com mais de 60 anos.   

O objetivo da pesquisa foi estudar quais são os fatores relacionados a uma pior evolução clínica entre os pacientes internados por Covid-19. Para isso, os pesquisadores acompanharam os participantes do estudo, já desde o momento da internação (estudo prospectivo) e avaliaram os desfechos de insuficiência respiratória grave com necessidade de ventilação mecânica e mortalidade.

“Os resultados apontam que, dentre todos os fatores analisados, os níveis de vitamina D no sangue menores que 40ng/mL, anemia (hemoglobina menor que 12g/mL), proteína C-reativa (um marcador de inflamação) maior que 80ng/mL e comprometimento pulmonar maior que 50% na tomografia computadorizada foram preditores importantes e independentes para insuficiência respiratória grave e ventilação mecânica”, explica um dos autores da pesquisa, Alberto Frisoli Junior, médico geriatra do Einstein e professor da UNIFESP.

Por outro lado, os fatores preditivos de morte foram a presença de fibrilação atrial (um tipo específico de arritmia cardíaca), história de câncer e o aumento de uma das principais substâncias inflamatórias relacionadas à Covid-19, a interleucina 6. A anemia também foi preditora de morte, mas de forma menos intensa que os demais.

Dentre os participantes, 16,9% evoluíram para insuficiência respiratória com necessidade de ventilação mecânica. “Em contrapartida, o estudo demonstrou que níveis maiores que 40 ng/mL de vitamina D no organismo apresentam seis vezes menos chance de o paciente ser intubado”, esclarece Frisoli. Ainda não se sabe o motivo de isso acontecer, mas há evidências de que a vitamina D tenha um papel relevante para a imunidade, auxiliando no funcionamento adequado do sistema imunológico.

Metodologia

Este estudo apresentou uma metodologia diferenciada por analisar as variáveis relacionadas à gravidade de casos de Covid-19 por meio de acompanhamento médico criterioso. A pesquisa foi realizada em caráter prospectivo, em que pacientes minuciosamente selecionados são acompanhados desde a internação.

Os dados de doenças crônicas, tomografia do pulmão e exames laboratoriais foram coletados nas primeiras 48h de internação e avaliados de forma independente para garantir que esses fatores possam interferir no desfecho clínico. 

O estudo foi financiado pela farmacêutica Hypera Pharma, que não fez qualquer apontamento no desenvolvimento.

Referência:

1Chronic diseases, chest computed tomography, and laboratory tests as predictors of severe respiratory failure and death in elderly Brazilian patients hospitalized with COVID-19: a prospective cohort study. BMC Geriatrics

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