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Jornal Acontece

31 de outubro de 2025

A fé na ‘comunhão dos santos’

 | Jornal Acontece

A Celebração dos Fiéis Defuntos, no dia 2 de novembro, chama a nossa atenção para o sentido mais profundo da vida cristã. Se morrermos em Cristo, porque vivemos a nossa vida em comunhão com Ele, seremos admitidos na comunhão dos Santos. A celebração desse dia se insere nessa perspectiva. E a Igreja não esquece seus irmãos falecidos, mas reza por eles, oferece sufrágios, celebra Missas e oferece esmolas, para que também as almas, que ainda precisam de purificação, após a morte, possam alcançar a visão de Deus. 

 

 

A respeito disso, o Papa Bento XVI, na sua encíclica Spe Salvi  — É na esperança que fomos salvos —, publicada no ano de 2007, fala de três categorias de pessoas. Há pessoas que ‘destruíram totalmente em si próprias o desejo da verdade e a disponibilidade para o amor’,  e que serão condenadas.

 

 

Por outro lado, ‘podem existir pessoas puríssimas, que se deixaram penetrar inteiramente por Deus e, consequentemente, estão totalmente abertas ao próximo’ e serão premiadas no Céu, logo depois da morte. Mas, ‘segundo a nossa experiência, nem um nem outro são o caso normal da existência humana. Na maioria dos homens perdura no mais profundo da sua essência uma derradeira abertura interior para a verdade, para o amor, para Deus.

 

 

Nas opções concretas da vida, porém, aquela é sepultada sob repetidos compromissos com o mal’ (n. 45-46). Os moralistas, neste caso, falam de uma ‘opção fundamental’ para Cristo, mas misturada com atos que revelam expressões de egoísmo. Essas pessoas, a partir da morte, precisarão completar aquele processo de conversão a Cristo e aos irmãos que só tinha começado. Eis o ‘lugar’ do purgatório.

 

 

O Credo, no seu 9º artigo, proclama a fé na ‘comunhão dos santos’, quer dizer, a união entre os santos do céu, as almas do purgatório que completam o processo de conversão e os cristãos aqui na terra que professam a fé em Jesus Cristo. Graças a esta ‘comunhão’, nós somos chamados a celebrar as festas dos santos do Céu,  a rezar pelos vivos e pelas almas do purgatório.

 

 

Nesta perspectiva, entende-se o lugar da ‘indulgência’. A “Indulgência” indica, na doutrina católica, a promessa de uma particular intercessão da Igreja para que Deus perdoe a pena temporal dos pecados que já foram perdoados, mas cujas consequências continuam.

 

 

Do dia 1° a 8 de novembro pode-se lucrar a indulgência plenária aplicável aos mortos, ou seja, pode-se oferecer a indulgência por uma pessoa que já tenha falecido e as penas dos pecados que essa pessoa cometeu em vida serão reparadas.

 

É o que diz o diretório litúrgico:

 

“Aos que visitarem o cemitério e rezarem pelos defuntos mesmo só mentalmente, concede-se uma indulgência plenária, só aplicável aos defuntos diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice, nos restantes dias do ano, indulgência parcial”.

 

 

Esta fé da Igreja nos ajuda a viver de maneira mais profunda a comemoração dos Fiéis Defuntos.

 

 

* Lino Rampazzo é professor no curso de Teologia da Faculdade Canção Nova.

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