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Ariadney Deodato

19 de novembro de 2025

Alerta sobre efeitos na nova geração

 | Jornal Acontece

Vivemos em uma realidade onde as telas fazem parte de quase tudo: televisão, celular, tablet. As crianças têm acesso cada vez mais cedo, e isso preocupa porque a ciência já afirma que, até os dois anos de idade, o ideal é zero telas. Isso porque a exposição precoce gera uma descarga de dopamina fácil e excessiva, que prejudica o raciocínio, o aprendizado, a fala, a alimentação e até a maneira como a criança passa a enxergar o mundo. O excesso de tela, em qualquer idade, causa impactos importantes: jovens, adolescentes e até adultos sofrem com essa dopamina barata, dificuldade de concentração e exposição a conteúdos que nem sempre são seguros. Em jogos como Roblox, por exemplo, há casos de conversas com adultos desconhecidos, e até no YouTube Kids existem vídeos inadequados, feitos por IAs, com comportamentos agressivos ou violentos como personagens que bombardeiam, atacam ou estimulam atitudes perigosas, que não deveriam estar ao alcance de uma criança.

 

Depois da pandemia, muitas professoras relatam a dificuldade crescente na alfabetização e no letramento justamente porque essas crianças chegam mais agitadas, menos concentradas e acostumadas a estímulos rápidos das telas e redes sociais. Mas isso não significa culpar as famílias. A verdade é que muitas pessoas não têm rede de apoio, trabalham muito e acabam usando as telas como suporte. E, mesmo quando tentamos evitar, a criança vê os colegas usando celular na escola ou observa o comportamento dos amigos e acaba criando curiosidade. Além disso, as ruas não são tão seguras como antes: aumentaram casos de violência, tentativas de sequestro, abuso, atropelamentos, e isso faz com que brincar fora de casa seja mais difícil do que era para as gerações anteriores.

 

Por isso, o que podemos fazer é buscar equilíbrio. Quando a tela é necessária, é importante tentar acompanhar o que a criança assiste, observar o conteúdo e controlar o tempo de exposição. Existem formas práticas de fazer isso: escolher desenhos saudáveis, assistir junto quando possível, e até baixar vídeos selecionados e colocá-los em um pendrive para garantir que o conteúdo é seguro. No YouTube Kids, é importante treinar o algoritmo, bloquear canais problemáticos, repetir apenas vídeos confiáveis e utilizar funções de bloqueio de tela. Existem desenhos que realmente contribuem para o desenvolvimento, como “A Luna”, que fala sobre ciência, natureza e descobertas sem sexualizar a infância, e “Detetive Labrador”, que ensina sobre segurança, estranhos, escola e organização, tudo de maneira positiva e educativa.

 

Nem tudo estará sob nosso controle, e isso faz parte da realidade. Mas o que estiver ao nosso alcance orientar, acompanhar, selecionar e limitar já causa um impacto enorme na formação emocional, cognitiva e social dessas crianças. A infância é um solo fértil em que pisaremos pelo resto da vida. Cuidar da relação das crianças com as telas é cuidar do futuro delas. Compartilhe essa informação para que ela chegue a mais famílias e transforme, nem que seja um pouquinho, a vida das nossas crianças. A união faz a força.

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