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Jornal Acontece

29 de maio de 2026

Araceli partiu daqui sem ver justiça sendo feita.

 | Jornal Acontece

Quando a gente fala de ancestralidade, quando olha para o nosso passado e para a nossa genética familiar, a gente carrega muitas coisas. Inclusive dores, silêncios e violências.

Aquilo que não chega até nós como bênção, muitas vezes chega como violação.
E o abuso sexual também é sobre isso.

 

O Maio Laranja é um mês simbólico.

Araceli sofreu há mais de 50 anos.
Cinco décadas se passaram e, ainda hoje, o caso Araceli não recebe a visibilidade necessária. Enquanto isso, diariamente, corpos seguem sendo violados dentro dos próprios lares, em ambientes de vulnerabilidade, em espaços onde deveria existir proteção.

Corpos de crianças.
Corpos de adolescentes.
Corpos de pessoas que carregam marcas para o resto da vida.

E o que nós fazemos para alcançar mais direitos?
O que fazemos para chamar atenção e fortalecer a proteção?

Hoje, vivemos em um mundo onde crianças têm acesso às redes sociais, mas muitas vezes não têm acesso à proteção.

Um abusador precisa apenas de uma oportunidade para cometer o crime e destruir uma vida inteira.

Por isso, agora nesse Maio Laranja, chegando ao fim desse mês simbólico de conscientização sobre a violência sexual e a exploração infantil, eu decidi realizar uma ação na Zona Noroeste, em Santos.

 

Será na Avenida Nossa Senhora de Fátima, número 1440, às 10 horas da manhã.

 

Vamos falar sobre a importância dessa temática.
Sobre canais de denúncia.
Sobre sinais de alerta.
Sobre prevenção.

Porque se esse assunto não tiver visibilidade, se a sociedade não entender a urgência da prevenção, nós nunca vamos conseguir enfrentar esse tipo de violência.

 

É só chegar.

 

Vamos realizar uma ação no semáforo, com entrega de panfletos informativos, cartazes e conscientização.

E eu escolhi a Zona Noroeste porque quando a gente fala de Santos, muitas vezes os eventos acontecem sempre nos mesmos lugares. Mas existe muita quebrada, muita família e muitas pessoas vivendo em regiões que nem sempre recebem atenção, cuidado e acesso à informação.

Então eu deixo esse convite em aberto para todo mundo.

 

Porque isso é importante.

 

Se você não for por você, vá pelos seus.
Pelo futuro das nossas crianças.
Por quem perdeu a vida sem ver justiça.

Araceli partiu daqui sem ver justiça sendo feita.
E isso precisa acabar.

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