15 de janeiro de 2026
Cachorro morre por hipertermia em hotel pet
Um cachorro da raça pug morreu após sofrer hipertermia em um hotel pet no bairro Paquetá, em Santos. O caso aconteceu na segunda-feira (12), horas depois de o animal ser deixado no estabelecimento. Segundo a tutora, o cão estava saudável, mas passou mal devido ao calor. A família registrou boletim de ocorrência e afirma que pretende acionar a Justiça.
Cachorro era suporte emocional de criança com TEA
O animal, chamado Bucky, era considerado cão de suporte emocional da filha da tutora, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A engenheira eletricista Rosana Gemignani Cardoso, de 55 anos, relatou que o cachorro estava com a família desde 2019 e nunca havia sido deixado em hotel pet.
De acordo com ela, a decisão pela hospedagem ocorreu porque a família viajaria ao exterior e não houve tempo para providenciar os exames exigidos para levar o animal.
Raça exige cuidados especiais com o calor
Rosana afirmou que uma de suas maiores preocupações era o calor, já que Bucky era braquicefálico, condição que exige atenção redobrada em altas temperaturas.
Antes de fechar o serviço, a tutora questionou a equipe sobre os cuidados com o clima e foi informada de que o animal teria acesso a ar-condicionado e estrutura adequada.
O cão passou por um dia de adaptação, aprovado pela clínica, e a família contratou hospedagem por 18 dias, no valor de R$ 2.560.
Laudo veterinário aponta quadro crítico
Segundo o laudo da clínica para onde Bucky foi levado, o animal deu entrada em estado crítico, apresentando:
-
Rebaixamento de consciência;
-
Ausência de reflexos motores;
-
Taquicardia e taquipneia;
-
Náuseas com mímica de vômito;
-
Temperatura corporal de 40,7 °C;
-
Cianose de mucosas;
-
Abdômen distendido por aerofagia.
A família afirma que o cachorro foi deixado no hotel por volta do meio-dia e que, horas depois, recebeu mensagem informando que ele havia passado mal e seria levado ao veterinário.
Família questiona horários e atendimento
Rosana relatou inconsistências nos horários informados pelo estabelecimento. Segundo ela, recebeu um vídeo do cachorro após o horário registrado como óbito no laudo médico.
A família retornou a Santos, chamou a polícia e registrou boletim de ocorrência. Apesar do valor da hospedagem ter sido devolvido, a tutora afirma que não busca indenização.
“Não quero que ninguém mais confie seu animal a esse lugar. Quero conscientização e fiscalização”, declarou.
“Ele foi arrancado da gente”
A tutora descreveu a perda como devastadora para toda a família. Segundo ela, o cachorro fazia parte da rotina da casa e era muito ligado à filha.
“O sentimento é de vazio. Minha filha tem revolta, meu marido também. Ele foi arrancado da gente”, disse.
A família também afirmou que comentários sobre o caso estariam sendo apagados das redes sociais do estabelecimento.
O que diz o hotel pet
Em nota, o hotel informou que lamenta a morte do animal e se solidariza com a família. Segundo o estabelecimento, o cachorro participou normalmente da rotina do local, com alimentação, descanso e interação com outros cães.
A empresa afirmou que adotava medidas para amenizar o calor, como ventiladores, água no ambiente e áreas cobertas. De acordo com o comunicado, por volta das 17h30 o animal teria apresentado um mal súbito, sendo imediatamente socorrido e levado a uma clínica veterinária.
O hotel declarou ainda que atua há quase dez anos no cuidado de cães e que nunca havia registrado caso semelhante.