Fale com a gente

|

Tempo

Compra: R$

Venda: R$

Jornal Acontece

11 de maio de 2022

Crianças distraídas: déficit de atenção ou distúrbio auditivo?

 | Jornal Acontece

Transtorno que afeta a capacidade de entendimento dos sons pode prejudicar o aprendizado na escola

 

Os sintomas são parecidos: dificuldade de concentração, desinteresse, esquecimento, hiperatividade, baixo rendimento escolar e, muitas vezes, isolamento social. Muitas crianças são assim, o que pode levar a diagnósticos como o de Dislexia ou de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O que muitos pais não sabem é que esses sintomas também podem ser consequência de um tipo de distúrbio relacionado à audição.

 

Trata-se da Desordem do Processamento Auditivo Central — DPAC –, que afeta a capacidade de compreensão dos sons e pode prejudicar o desenvolvimento intelectual desde a infância. A criança ouve normalmente, mas não consegue interpretar o que ouve. É como se as palavras e demais sons fossem apenas ruídos.

 

“A criança ou adolescente com DPAC não consegue discriminar os sons quanto à sua localização e amplitude e não reconhece ou não compreende o significado de cada ruído presente no ambiente. Com isso, o mundo se transforma em uma incômoda confusão de barulhos desconexos e embaralhados”, explica a fonoaudióloga Rafaella Cardoso, especialista em Audiologia na Telex Soluções Auditivas.

 

De acordo com os neurologistas, todo o esforço que é feito por quem tem o distúrbio, para entender o que acontece ao redor, é demasiado para o cérebro. Chega uma hora que ele não resiste e “desliga”. Por isso, pessoas com DPAC são sempre muito distraídas e perdem rapidamente o foco de atenção sobre o que está acontecendo no ambiente.

 

A fala e a leitura também são prejudicadas porque o processo de linguagem se desenvolve simultaneamente ao processo da audição. Deste modo, a criança pode ter dificuldades para aprender a falar e a ler, já que é necessário associar as palavras ao som que elas têm.

 

Em condições normais, localizar o som é entender de onde ele vem, sua direção e distância; é perceber o que é o badalar do sino da igreja, a buzina de um carro. Logo, ter uma boa audição nem sempre é o suficiente para compreender os sons”, explica a especialista.

 

O diagnóstico é dado geralmente na fase de alfabetização da criança, uma vez que é nessa fase que o aluno começa a apresentar dificuldade de memória de curto prazo, falta de entendimento, pouca concentração e incapacidade de leitura e escrita. O que acontece é que ele ouve com clareza a voz do professor, mas tem dificuldade em entender a fala; ou mesmo interpretar textos e compreender o enunciado de problemas, atropelando as palavras. A boa notícia é que o problema pode ser contornado.

 

“É de extrema importância que o diagnóstico correto seja feito o quanto antes para que as dificuldades no aprendizado sejam superadas mais facilmente. O cérebro humano tem, principalmente durante a infância, grande flexibilidade. Com o tratamento fonoaudiológico e o apoio de uma equipe pedagógica adequada, desde cedo, a criança tem grandes chances de obter um ótimo desempenho escolar, pois seu cérebro estará sendo treinado a desenvolver mecanismos diferentes e rotas alternativas para driblar o distúrbio”, esclarece a fonoaudióloga da Telex.

 

Não se sabe ao certo como a DPAC surge, mas acredita-se que a falta de estímulos sonoros durante a infância seja uma das causas. As estruturas do cérebro que interpretam e hierarquizam os sons se desenvolvem até os 13 anos. Até essa idade, as notas musicais, as palavras e os barulhos do dia a dia vão lentamente ensinando o cérebro a lidar com a audição.

 

Alguns pesquisadores destacam que crianças com lesões ou inflamações frequentes no ouvido médio podem desenvolver o transtorno, uma vez que tais enfermidades impedem o cérebro de receber adequadamente estímulos sonoros. Doenças neurodegenerativas, rubéola, sífilis e toxoplasmose e até mesmo alcoolismo e dependência química materna podem causar o distúrbio. Mas nada ainda foi comprovado cientificamente.

 

O diagnóstico da Desordem do Processamento Auditivo Central é consolidado por um fonoaudiólogo por meio de testes especiais que descartam outros problemas.
 

 

“Na maior parte dos casos, o sistema auditivo periférico (tímpano, ossículos, cóclea e nervo auditivo) está totalmente preservado. Por isso, são realizados procedimentos um pouco mais elaborados do que as análises audiométricas comuns. É preciso avaliar o desenvolvimento linguístico e o comportamento auditivo, por exemplo. A idade mínima adequada para efetuar tal estudo é a partir dos sete anos de idade. Os exames apontarão em quais habilidades auditivas a criança tem maior dificuldade e isso servirá de orientação para a escolha do plano de tratamento no que diz respeito ao treinamento auditivo que o fonoaudiólogo conduzirá com a criança, em um trabalho terapêutico de médio a longo prazo”, finaliza Rafaella Cardoso.

 

Dicas para pais e professores de crianças com DPAC:

 

– Ambientes barulhentos prejudicam ainda mais a concentração das crianças com DPAC; por isso é preciso manter o silêncio na hora do estudo, tanto na escola quanto em casa;

 

– É preciso falar de forma clara, pausada, de preferência bem de perto e de frente para a criança;

 

– É aconselhável que, na escola, a criança esteja sentada o mais perto possível do professor e fique afastada de portas e janelas para se proteger do barulho;

 

– A criança deve ser incentivada pelos pais e professores no esforço de aprendizagem, a fim de melhorar nos estudos e aumentar a sua autoestima.

 

 

Publicidade
Publicidade
NOTÍCIAS RELACIONADAS

11 de maio de 2022

Guarujá reduz casos de dengue em 72% em 2026

Leia mais

11 de maio de 2022

Ideal service e sesp realizam campanha de vacinação e conscientização em Cubatão

Leia mais

11 de maio de 2022

CATI fortalece qualidade de vida da melhor idade em Guarujá

Leia mais
Publicidade
Publicidade
Desenvolvido por KBRTEC

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies e os nossos Termos de Uso.