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24 de junho de 2026

Estudo alerta para risco de saturação nos acessos ao Porto de Santos até 2035

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Levantamento projeta quase 300 milhões de toneladas movimentadas por ano e aponta necessidade de obras estruturantes para evitar novos gargalos logísticos.

 

 

 

Estudo alerta para risco de saturação nos acessos ao Porto de Santos até 2035

 

O Porto de Santos poderá movimentar quase 300 milhões de toneladas de cargas por ano até 2035, mas corre o risco de enfrentar gargalos logísticos cada vez maiores caso a infraestrutura de acesso não acompanhe o crescimento da atividade portuária. O alerta faz parte do estudo Santos 10+, apresentado pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp).

O levantamento analisou a capacidade operacional do complexo santista, seus acessos terrestres e aquaviários e os impactos esperados para os próximos dez anos. O objetivo foi avaliar se os investimentos atualmente previstos serão suficientes para atender à demanda futura do maior porto da América Latina.

Segundo o estudo, o principal desafio não está dentro dos terminais portuários, mas nos sistemas de acesso utilizados para entrada e saída de cargas.

 

Porto deve se aproximar de 300 milhões de toneladas

 

As projeções indicam que a movimentação total de cargas deverá saltar dos atuais patamares para 253,6 milhões de toneladas em 2030 e alcançar 291,1 milhões de toneladas em 2035.

Embora a capacidade operacional dos terminais também apresente crescimento, chegando a 309,1 milhões de toneladas ao final do período analisado, os pesquisadores apontam que a infraestrutura externa poderá se tornar o principal fator limitante para o desenvolvimento do porto.

Segundo o diretor-executivo do Sopesp, Ricardo Molitzas, o objetivo do trabalho foi produzir um diagnóstico técnico capaz de antecipar discussões sobre o futuro do complexo portuário.

“O estudo mostra como está o Porto de Santos hoje e o que poderá acontecer diante do crescimento projetado para os próximos anos. A intenção é estimular o debate sobre os investimentos necessários para sustentar essa expansão”, afirmou.

 

Fluxo de caminhões pode crescer até 136%

 

Um dos pontos que mais chamou atenção no levantamento foi a projeção relacionada ao transporte rodoviário.

As simulações indicam que o aumento da circulação de caminhões ligados à atividade portuária poderá chegar a 136% em determinados cenários, número muito superior a algumas estimativas tradicionalmente utilizadas no planejamento logístico.

Na região Valongo-Saboó, por exemplo, onde atualmente circulam cerca de 730 caminhões por hora, o fluxo adicional poderá atingir 1.431 veículos por hora até 2035.

Outros pontos considerados críticos pelo estudo incluem a região da Alemoa, em Santos, e os acessos próximos à Rua do Adubo, em Guarujá.

 

Obras estruturantes ganham importância

 

Diante das projeções, o estudo reforça a necessidade de acelerar projetos considerados estratégicos para a mobilidade regional e para a operação portuária.

Entre as obras destacadas estão o túnel Santos-Guarujá e a terceira pista da Rodovia Anchieta.

Segundo as simulações realizadas pelos especialistas, ambas as intervenções apresentam potencial para melhorar significativamente o desempenho logístico do sistema, reduzindo impactos nos acessos ao porto e ampliando a capacidade de circulação de cargas.

Apesar disso, o levantamento aponta que as obras, sozinhas, não eliminam completamente os gargalos futuros, tornando necessário um planejamento contínuo para acompanhar o crescimento da demanda.

 

Canal de navegação também preocupa especialistas

 

 

Além dos acessos terrestres, o estudo avaliou o comportamento do tráfego marítimo no Porto de Santos.

A expectativa é que o número de navios que utilizam o complexo aumente de 1.608 embarcações registradas em 2025 para aproximadamente 2.270 em 2035, crescimento superior a 41%.

Diante desse cenário, o aprofundamento do canal de navegação aparece como uma das medidas consideradas fundamentais para permitir a operação de embarcações maiores e manter a competitividade internacional do porto.

Segundo os especialistas, o canal já começa a se aproximar de parâmetros que indicam necessidade de planejamento para ampliação de capacidade, especialmente diante dos longos prazos exigidos para licenciamento ambiental, contratação de obras e execução de dragagens.

 

Crescimento do porto depende de planejamento antecipado

 

Para o presidente do Sopesp, Régis Prunzel, os ganhos de produtividade conquistados pelos terminais possuem limites quando não são acompanhados pela evolução da infraestrutura externa.

“Chega um momento em que os investimentos feitos dentro dos terminais deixam de produzir resultados se os acessos não evoluírem na mesma velocidade. O porto pode bater recordes de movimentação, mas continuar enfrentando problemas semelhantes aos observados atualmente”, destacou.

O estudo também propõe que as projeções sejam atualizadas periodicamente, permitindo acompanhar a evolução dos indicadores e ajustar estratégias de desenvolvimento ao longo dos próximos anos.

 

Porto de Santos segue como peça-chave da economia brasileira

 

Responsável por movimentar uma parcela significativa do comércio exterior do país, o Porto de Santos ocupa posição estratégica para diversos setores da economia nacional.

Com o crescimento previsto para a próxima década, especialistas defendem que investimentos em logística, mobilidade e infraestrutura deixem de ser discutidos apenas quando os problemas surgem e passem a ser planejados com antecedência.

A avaliação apresentada pelo Santos 10+ reforça que o futuro do maior porto da América Latina dependerá não apenas da expansão dos terminais, mas também da capacidade de seus acessos terrestres e aquaviários acompanharem o ritmo de crescimento da atividade portuária.

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