20 de maio de 2022
Explante de silicone: quando faz sentido tirar as próteses?
Nos últimos anos, cresceu em quase 50% o número de solicitações de retirada de implantes de silicone. Veja quando esse procedimento, de fato, faz sentido
Para muitas mulheres, ter os seios fartos é um sonho que pode ser realizado por meio da cirurgia plástica. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética apontam que, em todo o mundo, 15,8% dos procedimentos estéticos são para colocar silicone nos seios.
No último ano, no entanto, houve uma reversão: 10,7% das cirurgias plásticas realizadas no mundo tiveram o objetivo de explantar o silicone, ou seja, removê-lo. Desde 2015, o aumento foi de 49,7% na procura por esse tipo de procedimento.
Segundo a Dra. Tatiana Moura, cirurgiã plástica pela USP, a retirada da prótese de silicone não é novidade e sempre foi realizada durante a substituição da prótese por contratura, desejo de aumentar ou diminuir volume etc. “Recentemente algumas pacientes têm expressado o desejo de retirar o implante por não quererem mais tê-lo no corpo, e a esse procedimento chamamos de explante de prótese mamária”, conta a médica.
Os motivos para essa retirada são muitos. Eles têm a ver tanto com mudanças de padrões de beleza, quanto por condições físicas decorrentes do seu uso, como a Síndrome ASIA, ou ainda, por mudanças de fase de vida.
“A pessoa pode chegar com vontade de retirar o implante porque não se adaptou bem ou sente algum tipo de desconforto”, explica a também cirurgiã plástica pela SBCP Larissa Sumodjo. “Ou, às vezes, é uma fase diferente da vida, ela colocou implante antes da gestação, quando era muito jovem e tinha o desejo de ter uma mama mais redonda, mas, agora, não quer mais.”
Porém, um ponto importante e essencial que a profissional levanta é que mais do que desejar ter mamas livres de implantes é saber os resultados desse explante de silicone. “Tem pacientes com pouquíssimo tecido mamário, você tira o implante e fica nada”, continua a médica. “Tem pacientes que têm tecido razoável e, mesmo que os seios fiquem pequenos, têm vontade de tirar e ficar sem.”
Fora as questões estéticas e de valores pessoais, no entanto, entram as questões físicas – a Síndrome ASIA ficou bastante conhecida nos últimos tempos por ser considerada o motivo de muitos mal-estares de mulheres com implantes mamários. Vale notar, no entanto, que ainda não existem comprovações científicas de que essa condição, de fato, existe.
“O silicone é um material usado na medicina há muito tempo e tem se tornado cada vez mais seguro. No entanto, há relatos de reações autoimunes e inflamatórias relacionadas a ele — a Síndrome ASIA — que apresenta sintomas inespecíficos e presentes em outras condições médicas”, explica a Dra. Tatiana.
O linfoma anaplásico de células gigantes, de acordo com a cirurgiã, não é um câncer mamário, mas sim um câncer nas células de defesa do corpo, relacionados à texturização dos implantes, e uma condição bastante rara.
“O explante de silicone é indicado sempre que há contratura de cápsula grau 3 ou 4, no qual há a deformidade da prótese sem e com dor, respectivamente, ou quando a paciente apresenta as duas enfermidades citadas”, diz a Dra. Tatiana.
A cirurgia de remoção da prótese deve ser realizada em hospital e o resultado depende bastante do exame físico de cada paciente, do volume mamário remanescente, da condição da pele e expectativas de resultado.
“Nós não tiramos o implante quando percebemos que a paciente deseja um resultado que só conseguimos trazer com o silicone, desde que ela concorde”, explica a Dra. Larissa. “Ninguém precisa ficar com o implante de silicone, nem quem faz reconstrução de mamas. E não existe uma situação em que você não tira o implante, existem situações em que você aconselha a pessoa a não tirá-lo e, nesses casos que não envolvem câncer ou doenças, recomendamos que não tire quando percebemos que a paciente não terá um bom resultado sem o implante de silicone.”
Por isso, é essencial que a paciente converse clara e francamente com o cirurgião plástico para alinhar expectativas e sanar dúvidas antes de colocar as próteses e, também, se optar pelo explante.

Dra.Larissa Sumodjo

Dra. Tatiana Moura