17 de janeiro de 2026
Janeiro Branco reforça impacto da saúde mental na segurança e nos riscos das empresas
A campanha Janeiro Branco ganha ainda mais relevância diante do aumento dos afastamentos por transtornos mentais e das novas exigências legais que passam a obrigar as empresas a avaliarem os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A partir de 2025, a análise desses fatores se torna obrigatória no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com possibilidade de penalidades a partir de 2026.
Saúde mental entra de vez na agenda corporativa
O crescimento dos afastamentos por problemas emocionais e as mudanças na legislação ampliaram a responsabilidade das empresas sobre a saúde mental dos trabalhadores. Pressão por metas, jornadas extensas e ambientes organizacionais tóxicos são fatores que contribuem para o adoecimento psicológico e impactam diretamente a produtividade, os custos e a segurança das operações.
Nesse cenário, o Janeiro Branco deixa de ser apenas uma campanha de conscientização e passa a evidenciar um tema estratégico para a gestão de riscos corporativos.
Saúde emocional e acidentes de trabalho
Estudos acadêmicos apontam que o estado emocional dos trabalhadores influencia diretamente a ocorrência de acidentes. Uma revisão publicada pela revista Disciplinarum Scientia, da Universidade Franciscana (UFN), identificou que cansaço extremo, sofrimento psicológico e uso de medicamentos reduzem a atenção e aumentam a chance de falhas no trabalho.
A pesquisa reuniu dados hospitalares e questionários aplicados a trabalhadores, com participação de pesquisadores da UFN, FURG e UFSM.
Números que preocupam
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo, principalmente ansiedade e depressão.
No Brasil, o avanço é expressivo:
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472 mil licenças médicas por transtornos mentais em 2024
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Crescimento de 68% em relação ao ano anterior
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Alta acumulada de 143% em 2025, segundo dados do INSS citados pelo Tribunal Superior do Trabalho
Além dos afastamentos, empresas enfrentam perdas causadas pelo presenteísmo, quando o trabalhador permanece ativo, mas com baixo rendimento devido ao desgaste emocional.
Da conscientização à obrigação legal
Para Francielli Vitali, Head de Negócios da Esset – Employer Saúde e Segurança do Trabalho, saúde mental deve ser tratada como parte da segurança do trabalho.
“Uma pessoa emocionalmente sobrecarregada tem mais dificuldade de manter a atenção e tomar decisões, o que aumenta o risco de erros e acidentes”, afirma.
Segundo a especialista, o desafio está em ir além de ações pontuais. “Não basta falar de saúde mental apenas em campanhas. É preciso analisar a rotina, a carga de trabalho, as metas e a forma como as lideranças conduzem as equipes”, destaca.
O que diz a legislação
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) determina que as empresas passem a identificar, além dos riscos físicos, químicos e biológicos, também os riscos psicossociais, como:
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Excesso de trabalho
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Metas inalcançáveis
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Assédio moral
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Conflitos interpessoais
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Falta de pausas
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Desrespeito ao direito de desconexão
A Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho também foi atualizada, passando a reconhecer o adoecimento mental causado por ambientes organizacionais tóxicos. A exigência completa entra em vigor em maio de 2026, após período de adaptação.
Prevenção reduz custos e riscos
Para Vitali, empresas que se antecipam às exigências tendem a reduzir problemas futuros.
“Quando a saúde mental é tratada de forma preventiva, a empresa protege o trabalhador, melhora o bem-estar, garante produtividade, fortalece a reputação e reduz riscos de acidentes, afastamentos e ações trabalhistas”, conclui.
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