18 de dezembro de 2022
Prefeito ‘velhaco, ardiloso e inimigo dos aposentados’

Na foto, ‘card’ do Sindest crítico ao tucano Rogério Santos
O prefeito de Santos “é velhaco, ardiloso, inimigo dos servidores, dos aposentados e de seu sindicato. Uma pessoa que não faz jus à confiança sequer dos vereadores de sua base de apoio”.
A consideração sobre Rogério Santos (PSDB) é do presidente do sindicato dos 12 mil servidores municipais estatutários da prefeitura e 7 mil aposentados (Sindest), Fábio Pimentel.
O sindicalista se diz “pê da vida” com o prefeito por ter adiado, para fevereiro ou março, o abono de R$ 1 mil para os aposentados, que esperavam recebê-lo agora em 22 de dezembro, junto com a ativa.
Unanimidade dos vereadores
O abono, originalmente garantido apenas aos trabalhadores em atividade, foi estendido aos aposentados por força de mobilização da categoria proposta e incentivada pela direção do sindicato.
Tudo começou em março, logo após a conquista do reajuste de 10,06% nos salários e benefícios na data-base de fevereiro. O Sindest entendeu que ficaram pendentes quase 10% e procurou a câmara municipal.
A diretoria sugeriu à vereadora Telma de Souza (PT) que apresentasse projeto de lei reabrindo as negociações da campanha salarial. E a medida foi aprovada pela unanimidade dos parlamentares.
Prefeito postergou
A lei determinou que, até setembro, o executivo apresentasse nova proposta à categoria. Rogério postergou o quanto pôde e, em 1º de novembro, mandou dois projetos à câmara.
Um estabeleceu o abono de R$ 1 mil. O outro, reajuste de 20% no vale-refeição de R$ 503 e na cesta-básica de R$ 323, ambos contemplando apenas o pessoal da ativa.
O Sindest convocou reunião dos aposentados e os incentivou a participarem de protestos na câmara. Sensibilizados, os vereadores aprovaram emenda ao projeto do abono.
Sem compaixão
A medida, ratificada por unanimidade, estendeu o benefício aos aposentados. Mas o prefeito, na quinta-feira (15), comunicou seu veto à emenda e mandou outro projeto à câmara.
Esse projeto estende o abono aos aposentados e pensionistas, mas só será votado após o recesso do legislativo, que começa na terça-feira (20). Dessa forma, o benefício não será pago a eles na quinta-feira (22).
“Isso é ou não uma velhacaria covarde de alguém sem a menor empatia com os aposentados e suas necessidades, sem o menor sentimento de compaixão esperado nesta época natalina?”, pergunta Fábio.
Avanço e vitória
Ele considera, no entanto, que a garantia do abono aos inativos e o próprio abono em si constituem vitória do sindicato, assim como os 20% no vale-refeição e na cesta-básica.
“Não correspondem às perdas de quase 10% que reivindicamos. Mas foi um avanço. Não tivéssemos proposto a segunda fase da campanha salarial, nem isso teríamos”, pondera o sindicalista.
O presidente do Sindest lembra que essa perda, correspondente a 2019, 2020 e 2021, está na pauta da campanha salarial de 2023 aprovada em assembleia na quinta-feira (15).
Coraçã endurecido
O reajuste proposto na lista é de 15,11%. Corresponde ao saldo da perda acumulada desde fevereiro de 2019, de 8,61%, mais 6,5% de inflação prevista da data-base de 2022 a 2023.
A assembleia também aprovou reivindicar 10% a título de aumento real. A pauta será protocolada na prefeitura na semana que vem e Fábio quer iniciar as negociações em janeiro.
“O que todos esperamos é que o prefeito volte das festas natalinas com o espírito cristão que as caracteriza. Mas se vier com o tradicional coração endurecido, saberemos como agir”, diz o sindicalista.