12 de janeiro de 2026
Programa Família Acolhedora oferece amor e proteção a crianças em vulnerabilidade
Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade estão encontrando cuidado, proteção e afeto por meio do Programa Família Acolhedora, em Santos. Criado em 2004 e coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds), o serviço permite o acolhimento temporário por famílias cadastradas, por determinação judicial, evitando a institucionalização e garantindo convivência familiar a vítimas de negligência, violência ou abandono.
Acolhimento com amor e responsabilidade
O programa possibilita que crianças e adolescentes afastados de seus pais e irmãos biológicos sejam acolhidos, de forma temporária, por famílias habilitadas. O objetivo é oferecer um ambiente seguro e afetivo até que possam retornar à família de origem ou à família extensa, como avós e tios.
É o caso da assistente administrativa Talita Rodrigues Feijó e do portuário Alberto Martins Gomes, pais de Murilo, de 10 anos. A família participa do programa desde a pandemia e já acolheu seis crianças. Atualmente, uma bebê de 1 ano e 8 meses vive com eles há três meses.
“Cada criança chega com uma história e uma dor diferente, mas o amor ajuda a transformar tudo”, relata Talita.
Uma missão de cuidado e empatia
Para integrar o serviço, a família passou por avaliações com assistentes sociais e psicólogos da Prefeitura. Talita conta que o início foi desafiador:
“Precisei me adaptar a uma nova rotina. As crianças chegam, muitas vezes, carentes de tudo: carinho, alimentação adequada e atenção”.
Alberto e Murilo participam ativamente dos cuidados diários. “Cuidar dessas crianças vale a pena porque estamos transformando a vida de alguém. É uma missão”, resume o pai. Já Murilo se orgulha de contar aos colegas que faz parte de uma família acolhedora: “Eles deixam meus dias mais legais. Acho que ficaremos guardados no coração deles para sempre”.
Despedidas fazem parte do processo
O acolhimento é temporário e não se configura como adoção. A criação de vínculos afetivos é natural, mas a despedida é inevitável quando a criança retorna à família biológica ou extensa.
“É a parte mais difícil, mas temos a certeza de que fizemos nossa parte. Elas saem daqui melhores do que chegaram”, afirma Talita.
Violência contra crianças exige respostas humanas
Dados do Atlas da Violência 2025, do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que 13 crianças e adolescentes sofrem algum tipo de violência a cada hora no Brasil. Em 2023, foram 115.384 vítimas, um aumento de 36,2% em relação ao ano anterior.
A secretária de Desenvolvimento Social, Renata Bravo, destaca que o programa reafirma o compromisso de Santos com a dignidade e o desenvolvimento saudável de crianças e jovens. “Garantimos proteção, cuidado individualizado e convivência familiar a quem está temporariamente afastado de sua família de origem”.
Como funciona o Programa Família Acolhedora
O serviço é uma medida temporária prevista na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O objetivo principal é evitar a institucionalização e oferecer atenção individualizada às crianças.
Segundo a chefe da Seção Família Acolhedora e Apadrinhamento Afetivo, Susana Souza do Rosário Nascimento, atualmente há seis famílias habilitadas em Santos. “O acolhimento garante um olhar individualizado e contribui significativamente para o desenvolvimento das crianças”, explica.
As famílias passam por avaliação técnica e, após habilitação judicial, recebem ajuda de custo mensal de R$ 1.331,33, por meio do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA).
Como participar
A Seção Família Acolhedora funciona na Av. Senador Pinheiro Machado, 73 – Vila Mathias.
Telefones: (13) 3251-9333 | WhatsApp: (13) 98212-1656