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Ariadney Deodato

05 de dezembro de 2025

Quando a notícia vira rotina e o grito de socorro permanece silencioso

 | Jornal Acontece

 

Em menos de 24 horas, somos atingidas por mais uma onda de horror: notícias de mortes, de dor, de vidas interrompidas pela violência, muitas vezes por mãos que deveriam proteger. E, infelizmente, os números não mentem e também não param de subir.

 

Segundo o mais recente levantamento nacional, em 2024 o Brasil alcançou o pior índice desde que as séries históricas começaram: 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídio. Isso significa: quase quatro mulheres assassinadas por dia pelo simples fato de serem mulheres. 
Em 2023, o país registrou 3.903 homicídios de mulheres o que corresponde a uma média de 10 vítimas por dia, contrariando a tendência geral de queda da criminalidade. 

 

Entre esses números frios, há histórias de horror que nos tocam fundo. Há dias, o influenciador digital conhecido como “Thiago Schutz” também chamado de “Redpill do Campari” foi preso em flagrante por agredir sua companheira. A vítima denunciou socos e chutes; o laudo do IML apontou ao menos 11 lesões. 

 

Esse não é um caso isolado. A violência doméstica e os feminicídios têm origem no machismo estruturado, na cultura do controle, na ideia de que mulher é propriedade e no discurso de quem tenta justificar isso como “educação”, “amor”, “proteção”.

 

E nós mulheres, mães, filhas, amigas precisamos acordar. Precisamos enxergar como essas mensagens tóxicas contaminam nossos círculos; homens precisam ser punidos por seus erros, reconhecer eles e também ser responsáveis pela cobrança desses atos de seus colegas, questionar, opinar e também levar esta informação.
Ser exemplo para seus filhos e filhas, vocês deveriam ser fonte de segurança e não riscos.

Por isso, digo hoje: precisamos olhar com atenção o que compartilhamos, o que consumimos, o que ensinamos. As crianças de hoje serão os adultos de amanhã e se não rompermos esse ciclo de violência simbólica e real, entregamos a elas um futuro de medo, dor e submissão.

 

Precisamos educar para a liberdade de corpo, de mente, de escolha. Precisamos ensinar às meninas que não pertencem a ninguém; e aos meninos que respeito não é concessão: é obrigação. E nada nos dá o direito de agredir alguém ou tirar sua vida.

 

Dentro de casa, nas rodas de amigos, nas redes, com nossos parceiros que vale a pena, é urgente: abrir os olhos, denunciar, acolher. Que nossas filhas se sintam seguras para dizer “isso não é amor, é prisão”. Que nós, coletivamente, sejamos uma rede de proteção, de empatia, de sororidade. Que nosso filhos reconheçam sua significância no mundo e acolha, não gere riscos. Que homens protejam mulheres em vulnerabilidades e se comovam com isso.

Que assumam suas paternidades e sejam cobrados por isso.
Que mulheres não sejam questionadas pelos erros e escolhas do HOMEM.

 

Porque cada nome que a gente lê nas notícias foi alguém que tinha sonhos, medos, desejos e teve tudo arrancado por quem prometeu amor. Que a justiça real aconteça. Que essas mulheres descansem em paz. E que a gente lute com elas, por elas, por nós.

Denúncia: 180
Abra B.0 de forma on-line caso necessite:
https://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp-de-cidadao/home

Fontes:

Brasil registra recorde de feminicídios: 4 mulheres são mortas por dia, diz governo

‘Redpill do Campari’ é preso em flagrante por espancar a namorada dentro de casa

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