02 de janeiro de 2026
Quando começar a educação sexual?
Antes de responder, quero começar com algumas perguntas.
Em que momento você começou a investir na educação do seu filho?
Quando ensinou a dizer “obrigada”, a pedir licença, a respeitar o outro?
Em que instante você começou a se preocupar em colocá-lo na escola?
Quando começou a ensinar suas crenças, levá-lo a rituais religiosos ou apresentar valores espirituais?
Quando comprou a roupa do time e falou sobre o time do seu coração?
Se tudo isso é introduzido na vida dos nossos filhos desde o nascimento,
por que somente a educação sexual costuma ser adiada?
A educação sexual começa no útero da mãe e só termina com a morte
(Suplicy, 1990, p. 22).
É na infância que cada ser humano constrói as bases que irão sustentar todos os elementos da sua sexualidade.
A criança acredita no adulto. E isso é poderoso tanto para a educação quanto para a proteção.
Mas é justamente na infância que a criança corre o maior risco de sofrer abuso.
É aqui que reside o perigo do silêncio.
O melhor momento para começar a educação sexual é agora.
E, se você ainda não começou, não se culpe.
Nosso cérebro está pronto para aprender e ressignificar em qualquer fase da vida.
O momento é agora para iniciar ou retomar conversas sobre:
respeito, limites, corpo humano, toques seguros e inseguros.
Com adolescentes, a conversa precisa avançar para:
prevenção, gravidez, ISTs, assédio, feminicídio, canais de denúncia.
Se você está grávida ou tem filhos pequenos, comece nomeando corretamente as partes íntimas.
A educação sexual inicia, inclusive, na troca de fraldas: fale sobre a importância da higienização, peça licença para limpar, explique o que está fazendo e utilize os nomes corretos das partes íntimas vulva ou pênis.
Fale também sobre comportamentos inadequados de adultos, sobre o que pode e o que não pode ser brincadeira.
Sim, existem jogos sexuais entre crianças, e ignorar isso não protege ninguém.
Nunca repreenda uma criança quando ela manifestar dúvidas relacionadas à sexualidade.
Se você não souber responder, respire e diga com tranquilidade:
“Filho(a), preciso pesquisar melhor sobre isso e te explico amanhã, tudo bem?”
Estude de onde vem essa dúvida. Entenda o que a criança já sabe antes de responder.
E, principalmente, cumpra sua palavra. Pesquise e volte com a resposta.
Isso gera conexão, confiança e segurança emocional.
A criança que não tira dúvidas em casa, tira em outros lugares e isso não é seguro.
Não é porque nossos filhos não tocam no assunto que eles não tenham dúvidas ou não saibam.
Muitos não falam por insegurança, medo ou vergonha.
Jovens percebem mudanças em seus próprios corpos e nos corpos dos colegas com a chegada da puberdade, e isso desencadeia conflitos, curiosidades, comparações e inseguranças que precisam de orientação adulta responsável.
Não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que essa temática não chegará ao nosso lar.
Vivemos em tempos de redes sociais, fácil acesso a celulares e convivência com crianças de diferentes contextos e criações dentro das escolas.
Silenciar não protege.
Informar é cuidar. Educar é amor em ação.