14 de julho de 2026
São Vicente faz operação contra cerol e linha chilena nas férias
Ação reúne GCM, PM, Procon e secretarias municipais para combater a venda e uso de linhas cortantes nos bairros de São Vicente
Com a chegada das férias escolares e o aumento da prática de soltar pipas, a Prefeitura de São Vicente intensificou as ações de combate ao uso e à comercialização de cerol e outras linhas cortantes. Nesta segunda-feira (14), a Operação Fim da Linha percorreu os bairros Vila Margarida e Jóquei Clube, apreendendo materiais irregulares, fiscalizando estabelecimentos comerciais e orientando moradores e comerciantes sobre os riscos e a proibição legal desses produtos.
A ação reuniu equipes das secretarias de Defesa e Organização Social (Sedos) e de Comércio, Indústria e Negócios Portuários (Secinp), além da Guarda Civil Municipal (GCM), da Polícia Militar (PM) e do Procon. Juntos, os agentes percorreram os dois bairros em ação coordenada, com foco tanto na apreensão dos materiais proibidos quanto no trabalho de conscientização com a população local.
O que é cerol e por que é perigoso

O cerol é uma mistura abrasiva — geralmente feita de vidro moído, cola e outros materiais cortantes — aplicada à linha da pipa para facilitar o corte de linhas adversárias. Embora a prática seja comum em bairros populares durante as férias, o produto representa um risco gravíssimo à segurança pública.
Motociclistas, ciclistas e pedestres já foram vítimas fatais de acidentes causados por linhas com cerol. A linha esticada na altura do pescoço ou do rosto pode provocar cortes profundos e, em casos graves, causar a morte. Por isso, a comercialização, o porte, o uso e a distribuição de cerol, linha chilena e materiais similares são proibidos por lei e sujeitos a penalidades administrativas e criminais.
O descumprimento da legislação pode resultar em multas e apreensão de mercadorias. Estabelecimentos comerciais que insistirem na venda desses produtos ficam sujeitos à cassação da licença de funcionamento. Em casos de reincidência, a legislação municipal permite medidas ainda mais severas, incluindo o fechamento temporário do ponto comercial.
Denúncias sobre pontos de venda irregular podem ser feitas pelo número 153, da Guarda Civil Municipal de São Vicente. O sigilo do denunciante é garantido.
Secretários destacam importância da ação

O secretário de Comércio, Indústria e Negócios Portuários, Fernando Paulino, destacou que a fiscalização é fundamental, mas que o trabalho de prevenção deve ir além do poder público.
“Ações como essa são fundamentais para preservar vidas. Além da fiscalização, é essencial que as famílias também orientem crianças e adolescentes. Como poder público, temos o dever de intensificar esse trabalho para coibir a comercialização desses materiais na Cidade”, afirmou Paulino.
Para o secretário de Defesa e Organização Social, Silvio Damaceno, o objetivo da operação vai muito além de apreender materiais: a conscientização é parte central da proposta.
“Nosso compromisso é proteger a população, evitar novas tragédias e conscientizar a sociedade de que empinar pipa é uma brincadeira saudável, mas o uso de cerol e de linhas cortantes é proibido por lei, coloca vidas em risco e não será tolerado em São Vicente”, declarou Damaceno.
Férias escolares pedem fiscalização reforçada

A Operação Fim da Linha foi intensificada justamente em função do período de férias escolares, quando o número de crianças e adolescentes nas ruas cresce e a prática de soltar pipa aumenta. Julho é historicamente o mês com mais registros de incidentes envolvendo cerol na Baixada Santista.
Ao percorrer os bairros, os agentes não apenas recolheram materiais irregulares, mas conversaram diretamente com donos de bares, mercadinhos e papelarias, explicando as consequências legais e os riscos à comunidade. A orientação proativa busca reduzir a reincidência de pontos de venda irregulares ao longo das férias.
A Prefeitura de São Vicente reforça que a ação não é isolada. A operação faz parte de um conjunto de medidas que devem ser mantidas durante todo o período de férias, com novos bairros sendo incluídos nas próximas semanas.
Empinar pipa é saudável — cerol, não
A mensagem central da operação é clara: brincar de pipa é uma tradição cultural válida e saudável. O problema não é a pipa, mas o cerol. A Prefeitura não busca proibir a brincadeira, mas garantir que ela aconteça de forma segura, sem colocar em risco a vida de quem passa pelas ruas.
Com a fiscalização ativa da GCM, do Procon e das secretarias municipais, somada à participação da comunidade nas denúncias, São Vicente reforça o compromisso de manter as ruas seguras durante as férias de julho. Quem identificar venda de cerol ou linha chilena pode ligar para o 153.