19 de junho de 2026
Governo mobiliza 20 ministérios para enfrentar impactos do El Niño
Plano coordenado pela Casa Civil busca reduzir os efeitos de secas, enchentes, incêndios florestais e eventos extremos que podem atingir diferentes regiões do país nos próximos meses
Governo prepara resposta nacional para avanço do El Niño
O Governo Federal intensificou os preparativos para enfrentar os impactos do El Niño, fenômeno climático que deve ganhar força nos próximos meses e provocar alterações significativas no regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do país.
Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, 20 ministérios já atuam de forma integrada em uma sala de situação coordenada pela Casa Civil para monitorar a evolução do fenômeno e planejar medidas preventivas.
A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), nesta quinta-feira (19).
Fenômeno deve se intensificar no fim do ano
De acordo com as projeções apresentadas pelo ministro, o El Niño deve começar a se formar entre julho e setembro e ganhar intensidade entre outubro e dezembro.
Os efeitos previstos variam de acordo com cada região do país.
Entre os principais impactos esperados estão:
Seca e estiagem no Norte e Nordeste;
Aumento das chuvas e risco de cheias na Região Sul;
Inverno menos intenso no Centro-Oeste e Sudeste;
Temperaturas mais elevadas;
Maior risco de estiagem e incêndios florestais, especialmente no Pantanal.
Segundo Góes, o governo mantém monitoramento permanente para antecipar respostas e reduzir danos à população.
“Brasil está preparado permanentemente, está em vigilância e mobilizado para dar resposta à sociedade”, afirmou o ministro.
Especialistas alertam para risco de eventos extremos e novos prejuízos
Além das preocupações do Governo Federal, especialistas e órgãos de monitoramento climático acompanham com atenção a possibilidade de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses.
Os efeitos do fenômeno costumam ser sentidos de maneiras diferentes em cada região do país, mas têm potencial para provocar eventos extremos capazes de afetar milhões de brasileiros. Entre os cenários monitorados estão secas prolongadas, enchentes, incêndios florestais, ondas de calor e impactos no abastecimento de água.
Na Região Sul, onde o El Niño normalmente favorece chuvas acima da média, especialistas alertam para a possibilidade de inundações, alagamentos e outros eventos associados ao excesso de precipitação. Em anos de maior intensidade, essas ocorrências podem agravar problemas em áreas que já sofreram com tragédias climáticas recentes.
Já no Norte e em partes do Nordeste, a preocupação está relacionada à redução das chuvas, à queda do nível dos rios e ao aumento do risco de queimadas e incêndios florestais. Em regiões da Amazônia, a estiagem pode dificultar o transporte de pessoas e mercadorias, além de afetar o acesso de comunidades a alimentos, medicamentos e serviços básicos.
Outro ponto observado pelos especialistas é o impacto econômico. Secas, enchentes e incêndios podem prejudicar atividades agrícolas, comprometer safras e provocar reflexos no preço de alimentos e outros produtos. Eventos anteriores associados ao El Niño já produziram efeitos semelhantes em diferentes regiões do país.
Embora ainda não seja possível determinar a intensidade exata do fenômeno, os próximos meses serão decisivos para confirmar seu comportamento e medir a dimensão dos impactos que poderão ser enfrentados pelo Brasil.
Defesa Civil, Inmet e INPE reforçam monitoramento
O acompanhamento do fenômeno envolve diversos órgãos federais especializados.
Entre eles estão:
Defesa Civil Nacional;
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET);
Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN);
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
As instituições realizam reuniões frequentes para atualizar informações e subsidiar as decisões da sala de situação coordenada pela Casa Civil.
Governo anuncia plano de contingência
Durante a entrevista, Waldez Góes informou que uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva já garantiu recursos extras ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O objetivo é fortalecer ações preventivas contra incêndios florestais e ampliar a capacidade de resposta diante dos efeitos do El Niño.
Segundo o ministro, cada órgão federal envolvido possui atribuições específicas dentro do plano de contingência.
“Para cada órgão tem uma tarefa sendo mobilizada, prevista e trabalhada enquanto contingência no plano”, explicou.
Amazônia receberá apoio antes de possíveis isolamentos
Uma das estratégias do governo é antecipar o envio de suprimentos para áreas que podem enfrentar dificuldades de acesso durante os períodos de estiagem.
Na Amazônia, por exemplo, a intenção é garantir que comunidades vulneráveis recebam apoio antes de ficarem isoladas pela redução do nível dos rios.
Segundo Góes, agir antecipadamente reduz custos e permite respostas mais rápidas.
“É importante a gente chegar com determinados produtos até mesmo antes de ter o isolamento”, destacou.
A preocupação do governo ocorre porque episódios severos de seca na região amazônica já provocaram dificuldades de navegação, interrupção do transporte fluvial e problemas de abastecimento para comunidades dependentes dos rios.
Obras do PAC devem reforçar segurança hídrica
O ministro também destacou que obras estruturantes do Novo PAC têm papel importante na preparação para os efeitos do El Niño, especialmente nas regiões mais afetadas pela seca.
Entre os projetos citados estão:
Barragem de Oiticica;
Sistema Adutor do Seridó;
Sistema Adutor do Agreste Potiguar;
Canal do Apodi.
Segundo o governo, essas iniciativas ampliam a capacidade de armazenamento e distribuição de água, fortalecendo a segurança hídrica em períodos de estiagem prolongada.
Para Waldez Góes, as obras estruturantes representam uma resposta de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade das regiões historicamente afetadas pela escassez hídrica.
Defesa Civil Alerta amplia sistema de prevenção
Outra ferramenta utilizada pelo governo é o Defesa Civil Alerta (DCA), sistema que envia mensagens automáticas para celulares localizados em áreas de risco iminente.
A tecnologia permite alertar moradores sobre eventos climáticos extremos e fortalece a atuação das defesas civis municipais e estaduais.
De acordo com o ministro, o sistema contribui para a elaboração de planos de contingência em diferentes níveis de governo, ampliando a capacidade de resposta diante de situações de emergência.
Com o avanço dos fenômenos climáticos extremos nos últimos anos, ferramentas de alerta rápido têm sido consideradas essenciais para reduzir riscos à população e permitir evacuações preventivas em áreas ameaçadas.
Ações não serão interrompidas durante período eleitoral
Waldez Góes também afirmou que o período eleitoral não deve comprometer as ações de resposta aos impactos do El Niño.
Segundo ele, a legislação brasileira prevê exceções para situações de emergência e calamidade pública, permitindo que medidas urgentes continuem sendo executadas normalmente.
O ministro ressaltou que a prioridade permanece sendo a proteção da população e a redução dos impactos provocados por eventos climáticos extremos.
O que esperar nos próximos meses
Com a previsão de fortalecimento do El Niño entre outubro e dezembro, órgãos federais intensificam o monitoramento e as ações preventivas em todo o país.
A expectativa é que a integração entre ministérios, órgãos de monitoramento, Defesa Civil e governos locais permita respostas mais rápidas diante de secas, enchentes, incêndios florestais e outros eventos associados ao fenômeno climático.
Embora os impactos variem de região para região, especialistas apontam que o período entre o segundo semestre deste ano e o início de 2027 poderá exigir atenção redobrada das autoridades e da população, principalmente em áreas historicamente vulneráveis a estiagens, enchentes e queimadas.