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26 de agosto de 2019

‘Bacurau’ traz a distopia futurística do agora.

 | Jornal Acontece

Por Jay Laurentino

Novo filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles é resistência.

É ancestralidade. É força conjunta. Dor compartilhada.

As primeiras cenas do novo filme dos diretores e roteiristas Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor, Aquarius) e Juliano Dornelles saem do campo estelar intergaláctico e lentamente apontam em direção à cidadezinha do sertão nordestino dentro do mapa brasileiro avançando até a cidade de Bacurau, nome fictício dado ao vilarejo afastado no Seridó no Rio Grande do Norte, que faz fronteira também com o estado da Paraíba.

Cena de “Bacurau” — Divulgação.

A narrativa intitulada pelo próprio Kleber como um mix de “faroeste, ação e terror” tem paciência cirúrgica para nos apresentar seus moradores e seus dramas enquanto partem da premissa da falta de água e do vilarejo sumido do mapa para mostrar um Brasil com muitos dilemas políticos a serem resolvidos. Kleber e Juliano sabem muito bem como acrescentar pitadas de linhas cômicas que dão leveza pontual em meio aos pesares que se segue na medida que a produção avança no enredo e que, apesar de ter tom de denúncia com muita potência e nenhuma gratuidade, nunca chega ao ponto de ser panfletário. Pelo contrário: a qualidade técnica da película utiliza inclusive de transições de cenas dignas de uma apresentação de PowerPoint que só muita experiência permite ser usada sem que isso deixasse o filme brega. Longe disso. É cinema nacional de primeiríssima qualidade.

Cena de “Bacurau” — Divulgação.

Cada frame de exibição, cada corte, cada fala, cada personagem faz muito sentido na trama e de forma geral tudo é muito bem entregue aos espectadores. Também, pudera, foram mais de dez anos da escrita do script até a chegada do filme aos cinemas, que assume tom premonitório já nos primeiros letreiros ao trazer a mensagem “daqui a alguns anos”, e que teve seu roteiro inteiramente escrito na casa dos diretores afirmou o próprio KMF em uma de suas falas na sessão de pré-estreia do filme no CineArte em São Paulo na última segunda-feira (19/08), onde também falou sobre ter sido muito influenciado por Glauber Rocha e John Carpenter.

Bacurau teve sua estreia internacional no festival de Cannes, na França, e saiu vencedor do Prêmio do Juri, um dos principais prêmios do festival. Também foi vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Munique, na Alemanha e em Lima, no Peru, saindo vencedor também como Melhor Filme e Melhor Diretor para KMF e Juliano Dornelles. O filme foi também indicado para o Festival de Sydney e já teve sua estreia em solo nacional no Festival de Gramado, além de muitos outros convites de festivais por todo o mundo.

Sônia Braga já nas primeiras cenas nos mostra com força sua legião de Domingues que temos no Brasil afora e, cada ator, mesmo os que aparecem menos durante o filme é estrategicamente bem dirigido trazendo a ideia de coletivo como ponto-chave que une a experiência que é entregue pelos diretores pernambucanos e a história do cangaço como plano de fundo que é a cereja que faltava no bolo, jogando para o público espectador a necessidade do cuidado com a memória coletiva. O filme ainda traz o imortal Udo Kier como Michael em um dos eixos centrais da trama e Barbara Colen como Teresa.

A estreia nacional acontece no dia 29 de Agosto e essa é minha recomendação do mês aqui no Acontece, mas como diz a própria placa da distopia futurística da cidade: “Se for, vá na paz”.

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