30 de janeiro de 2026
Monumentos ecológicos levam sustentabilidade e ancestralidade à Encenação 2026
Esculturas sustentáveis com pneus reciclados marcaram a entrada do espetáculo e chamaram a atenção do público
Grandes esculturas sustentáveis chamaram a atenção do público logo na chegada à Encenação 2026, realizada na Praia do Gonzaguinha, em São Vicente. Com cerca de cinco metros de altura, os ecomonumentos foram produzidos a partir de toneladas de pneus reciclados e levaram uma forte mensagem de consciência ambiental, ancestralidade e valorização da cultura brasileira.
As obras, assinadas pelo artista Bruno, da Nhanderu Artes, representam uma onça, um indígena e o Ipupiara, figura lendária presente no imaginário popular brasileiro. Os elementos dialogam diretamente com o tema do espetáculo e reforçam a conexão entre história, natureza e identidade cultural.
Arte contemporânea com consciência ambiental
Com mais de uma década de atuação no universo da Eco Art, o artista construiu sua trajetória a partir do reaproveitamento de materiais e da cenografia sustentável. Neto de construtor, desenhista e escultor, Bruno cresceu em contato com o fazer artístico e consolidou sua identidade ao unir arte contemporânea, sustentabilidade e grandes produções culturais.
A partir dos 20 anos, o contato com festivais e eventos de grande porte impulsionou o aprimoramento de suas técnicas e a criação de coleções feitas com materiais reciclados, que hoje circulam por diversos estados do Brasil e também por países da Europa e da África.
“Ao fazer parte desta Encenação, que dialoga diretamente com nossos valores de sustentabilidade e fortalecimento da cultura, encontro inspiração no desejo de deixar uma mensagem sobre a importância do vínculo entre arte contemporânea e sustentabilidade”, destaca o artista.
Sentinelas do Tempo
A participação na Encenação 2026 representa um marco na carreira de Bruno e reforça a principal mensagem de seu trabalho: a urgência de repensar a relação entre arte, meio ambiente e futuro.
“Se não mudarmos a forma como interagimos com o mundo, entraremos em colapso. A arte precisa caminhar junto com a consciência ambiental para que continue existindo”, completa.
A conexão com o espetáculo começou após convite do produtor Júlio César Viana, que conheceu o trabalho do artista por meio da cena da música eletrônica. Desde então, o vínculo com São Vicente se fortaleceu, impulsionado pela receptividade da população local durante todo o processo de produção.
Segundo Júlio César, a proposta foi integrar os ecomonumentos à narrativa do espetáculo.
“A ideia foi conectar o físico e o digital, alinhando a linguagem visual ao tema O Chamado dos Elementos e ao caminho rumo aos 500 anos de São Vicente, pensando em uma cidade cada vez mais sustentável”, explicou.
As esculturas receberam o nome de Sentinelas do Tempo.
“São tótens feitos de pneus reciclados, com cerca de cinco metros de altura, trazendo animais de poder e figuras que representam o que precisamos preservar e lembrar da nossa história”, completou o produtor.
Encenação 2026
Realizada entre os dias 21 e 24 de janeiro, na Praia do Gonzaguinha, a Encenação 2026 emocionou o público ao recontar a chegada de Martim Afonso de Sousa à Vila de São Vicente, em 1532, marco fundador do Brasil.
O evento foi incentivado pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, com patrocínio de Brasil Terminal Portuário, GranServices, Grupo EcoRodovias e Sabesp. A realização é da Associação dos Artistas e da Prefeitura de São Vicente, com apoio da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.