15 de julho de 2026
Greve dos caminhoneiros termina após Senado aprovar MP do Frete
Paralisação no Porto de Santos foi encerrada após aprovação da Medida Provisória no Senado; fluxo de caminhões deve voltar ao normal de forma gradual.
A greve dos caminhoneiros que afetou os acessos ao Porto de Santos foi encerrada na noite desta terça-feira (14), após o Senado Federal aprovar a Medida Provisória nº 1.343/2026, conhecida como MP do Frete. A votação era a principal reivindicação apresentada pela categoria durante a mobilização.
O movimento durou dois dias e teve como objetivo pressionar os senadores a votar a proposta antes do fim de sua vigência, previsto para 16 de julho. Com a aprovação da matéria, lideranças ligadas à paralisação decidiram encerrar a mobilização e orientar os caminhoneiros a retomar as atividades.
Na Baixada Santista, o Porto de Santos foi usado como principal ponto de pressão do movimento. A concentração ocorreu principalmente na região da Alemoa, área estratégica para a logística portuária e para o fluxo de caminhões que atendem terminais, transportadoras e operadores de carga.
Protesto termina após votação no Senado

A aprovação da MP do Frete no Senado foi interpretada pela categoria como atendimento ao ponto central da mobilização. A pressão cresceu porque a medida provisória tinha prazo curto para ser votada e poderia perder validade caso não avançasse no Congresso.
Durante a tramitação, o texto foi tratado como uma resposta às cobranças por regras mais firmes na fiscalização do piso mínimo do frete. A categoria também defendia instrumentos capazes de reduzir descumprimentos em contratos de transporte rodoviário de cargas.
Com o fim da paralisação, a expectativa agora é que a normalização ocorra em etapas. Mesmo quando uma greve termina, o fluxo de caminhões não volta ao padrão imediatamente, porque filas, atrasos, janelas de carga e descargas precisam ser reorganizados pelos terminais e transportadoras.
Acessos ao porto tiveram reflexos
Durante a mobilização, o aumento no fluxo de caminhões e os pontos de manifestação provocaram lentidão em vias de acesso ao Porto de Santos e reflexos no Sistema Anchieta-Imigrantes. A região da Alemoa foi o principal ponto de atenção por concentrar parte importante da circulação de veículos pesados.
Em determinado momento, houve bloqueio parcial e breve com uma carreta atravessada na via, o que elevou a tensão local. Apesar disso, o cenário não evoluiu para paralisação total e prolongada da operação portuária.
A Ecovias chegou a acionar plano de contingência, com retenção temporária de caminhões na Interligação Planalto, para preservar a fluidez do tráfego e evitar que o acúmulo de veículos agravasse a descida da serra.
Mesmo sem colapso, alguns terminais e transportadores registraram atrasos e redução temporária no ritmo operacional. O impacto foi menor do que em paralisações nacionais anteriores, mas suficiente para acender alerta no setor logístico.
O que muda com a MP do Frete
A Medida Provisória nº 1.343/2026 reforça mecanismos ligados à Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Na prática, a proposta busca tornar mais rígida a fiscalização do pagamento do frete e aumentar a rastreabilidade das operações.
Um dos pontos centrais é a ampliação da obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte, o CIOT. Esse registro permite identificar a contratação do frete, acompanhar dados da operação e verificar se as regras do piso mínimo estão sendo cumpridas.
A MP também prevê instrumentos de controle e sanções para empresas que descumprirem a legislação. Para os caminhoneiros, a medida é vista como uma forma de reduzir contratos abaixo do piso e dar mais força à fiscalização.
Após a aprovação no Senado, o texto segue para as etapas finais previstas no processo legislativo. A votação, porém, foi suficiente para desmobilizar a paralisação que pressionava diretamente o Porto de Santos.
Logística deve normalizar aos poucos
Com o encerramento da greve, o fluxo de caminhões nos acessos ao Porto de Santos deve ser normalizado de forma gradual. A retomada depende da liberação completa das vias, da reorganização dos pátios e do reencaixe de cargas que sofreram atraso durante a mobilização.
Exportações, importações, transporte de contêineres, cargas soltas e operações ligadas a insumos industriais podem levar algumas horas ou dias para retornar ao ritmo normal, dependendo do terminal e do tipo de carga.
A tendência é que os reflexos no trânsito da Baixada Santista diminuam ao longo do dia, especialmente nos corredores mais usados por caminhões entre o planalto, a Alemoa, a Margem Direita de Santos e a Margem Esquerda, em Guarujá.
Apesar do fim da paralisação, o caso reforça a sensibilidade logística da região. Qualquer bloqueio, mesmo parcial, em acessos ao maior complexo portuário da América Latina pode provocar reflexos rápidos em transportadoras, terminais e no trânsito urbano.
Porto de Santos foi vitrine da pressão
A escolha do Porto de Santos como ponto de mobilização teve peso simbólico e prático. O complexo é a principal porta de entrada e saída de cargas do país e concentra uma cadeia que envolve caminhoneiros, operadores portuários, terminais, exportadores, importadores e indústrias.
Por isso, a paralisação em Santos ampliou a visibilidade da pauta nacional. Mesmo com operação preservada, a presença dos caminhoneiros nos acessos ao porto manteve o tema no centro da discussão política até a votação da MP.
O fim do movimento reduz o risco imediato de travamentos mais amplos, mas a normalização será acompanhada de perto pelo setor logístico e por motoristas que dependem das rodovias da Baixada Santista.